Políticas do desejo: representações coloniais nas relações entre trabalhadoras do sexo brasileiras e clientes portugueses

emerson.pngEmerson Pessoa – Doutorando em Sociologia no ICS-ULisboa, pelo Programa OpenSoc, professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Líder do Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental (HIBISCUS)


A globalização e a mobilidade de pessoas na contemporaneidade potencializaram os processos de mudança entre o local e o global. As teorias das migrações desenvolveram discussões sobre as transformações culturais e políticas relacionadas com este processo e os reflexos na vida dos atores envolvidos. As relações entre migrantes e pessoas do país de destino tornaram-se importantes na compreensão das culturas e das contradições resultantes deste movimento em contexto pós-colonial. Neste cenário, os estudos envolvendo sexualidade, afetos e migração possibilitaram compreender os diversos intercruzamentos entre a tradição e a modernidade, o público e o privado, o nós e o outro, o natural e o exótico, o centro e a periferia, as transformações dos papeis de gêneros e as práticas da sexualidade. Continuar a ler

A mutação demográfica em curso e o envelhecimento na sociedade brasileira: alguns indicadores

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Revalino António de Freitas – Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, e Investigador Visitante no ICS-ULisboa


Após décadas de pouca mobilidade, ao longo de quase todo o século XX, a estrutura etária da sociedade brasileira começou a ter uma forte mudança com consequências em todas as idades. Essa mutação, ainda inconclusa, permite apontar para uma nova reconfiguração, com a sociedade majoritariamente adulta e presença ascendente de pessoas idosas.

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Fonte: IBGE. Censos Demográficos. Adaptado pelo Autor.

No Brasil, os contornos que estabelecem a velhice são definidos social e juridicamente através de mudanças sociais em curso após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e que são sintetizados no Estatuto do Idoso. Trata-se de um estatuto jurídico-normativo que sanciona a outorga de direitos, no caso em decorrência de uma política internacional orientada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que define como pessoa idosa que tem 60 anos ou mais. A partir do recorte temporal, uma ampla legislação é estabelecida, definindo que os direitos das pessoas idosas são de responsabilidade, pela ordem, da família, da comunidade, da sociedade e, por fim, do poder público. Continuar a ler