Encontros: de que formas pode um cão transformar a vida familiar e pessoal?

teresaTeresa Líbano Monteiro é socióloga e investigadora associada ao ICS-ULisboa (tlibano@netcabo.pt)


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Few associations are as intense and emotionally involving
as those we have with companion animals.
Despite the frequency and importance of relationships
between humans and animals, analyses of interspecies interaction
are noticeably rare in the social scientific literature.

Clinton R. Sanders
In Understanding dogs

Em 29 de Novembro de 2015 a TVI 24 transmitiu uma reportagem com o seguinte título “Portugueses já têm mais animais de estimação do que filhos”. Esta reportagem cita um estudo da GFK que revela que 2,5 milhões de famílias têm, pelo menos, um animal de estimação, estando o cão no topo das preferências dos portugueses. Não é raro ouvir frases como: “não vivo sozinho, vivo com o meu cão”. Ou, mais comum ainda: “vivo com a minha família de quatro patas. “

Porque é que as pessoas têm um cão? O que é um cão? Um objeto de consumo? Um novo amigo? Um membro da família? Que papel ou papéis pode ter um cão, enquanto animal de estimação, numa família e no desenho de novas morfologias familiares, na sociedade contemporânea? Continuar a ler

Decifrando o social: reflexões sobre o trabalho de campo em Roma

filipaFilipa C. Cachapa | Doutoranda em Sociologia | ICS-ULisboa


1© Filipa C. Cachapa

O trabalho de campo permite ao cientista descrever, comparar e analisar uma cultura ou um facto social. Particularmente no caso da Sociologia, e em especial quando se trata de uma investigação qualitativa, o mergulho na vida quotidiana constitui uma mais-valia para o investigador: torna possível compreender as pessoas, as suas atitudes e (inter)acções. Quando os indivíduos que são objecto de estudo de uma dada investigação pertencem a uma cultura diferente da do investigador, a imersão na realidade social revela-se fundamental e pode ser um desafio.

Em 2015, estive em Roma durante dois meses. Entrevistei 30 jovens universitários italianos, depois de já ter entrevistado, em Lisboa, 28 universitários portugueses. O objectivo foi procurar respostas para a pergunta “o que é um adulto?”, de modo a desvendar se o dinheiro e a (in)dependência financeira têm ou não um papel social importante no momento de transição para a vida adulta. Continuar a ler