O que pode a capoeira?

Untitled-2

Igor Monteiro – Capoeirista, Pós-doutorado em Sociologia Urbana (UFC), Doutor em Sociologia (UFC), professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).


fig1

Roda de capoeira, com os integrantes do Centro Cultural Capoeira Água de Beber, nas margens da Lagoa da Itaperaoba – Serrinha, Fortaleza-CE.Enter a caption

Para além de sua inscrição rebelde no curso da história, a capoeira apresenta-se como algo da ordem da resistência também no que se refere às tentativas, sobretudo mobilizadas por parte da academia, de domesticá-la a partir de definições rígidas, de representações totalizantes e de aspirações de pureza. Ao considerá-la em termos de experiência, ou seja, tomando como horizonte suas figurações concretas, o que parece surgir – engendrando, pelo menos a meu ver, um enorme desafio para qualquer pesquisador ou pesquisadora – é uma expressão de pluralidade, afeita – justamente por este caráter múltiplo – a noções tais como a de mistura, movimento e rasura, por exemplo.

Explico-me melhor, mais que um jogo, uma dança ou luta – como, comumente, era definida por determinados discursos, situados em certos momentos históricos – a capoeira deve ser pensada de maneira mais alargada, tendo reconhecida sua constituição complexa que envolve, apenas à título de ilustração, dimensões como as da ludicidade, ancestralidade, alacridade, circularidade, oralidade e musicalidade. Ainda sob esta perspectiva mais dilatada, a capoeira passa a ser compreendida como uma espécie de dispositivo de reflexão histórico-social, passível de acionamento em distintos contextos (na escola, na comunidade, na rua etc.), que não deixa de ser investida também de conteúdos políticos.

fig2

Integrantes do Centro Cultural Capoeira Água de Beber em ação na rotunda do elevado do Aeroporto Internacional Pinto Martins – Serrinha, Fortaleza-CE.

Continuar a ler

Eu reclamo. Ele reclama. Nós reclamamos. Eles reclamam.

Culturas da reclamação no ambiente escolar: reflexões a partir da escolarização obrigatória no Brasil

nildaNilda Stecanela é professora da Universidade de Caxias do Sul, com atuação no Programa de Pós-Graduação em Educação. Fez estágio de doutorado no ICS/ULisboa (2005-2006) e estágio pós-doutoral no Institute of Education/University of London (2015-2016). Atualmente exerce a função de Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação.


Claudia Velho-7539

Reclamações em rotas distintas

Os queixumes dos professores

– Os alunos não querem nada com nada. Só vêm para a escola porque os pais (e a lei) obrigam.
– Lá fora (da escola) o mundo é mais atrativo.
– Os alunos são mais difíceis de lidar, têm menos empenho e esforço.
– Problema é ensinar quando as famílias depositam na escola o papel de educar também.
– Dificuldade é os pais largarem os filhos nas mãos dos professores.
– Muito conteúdo (informação) fica sem ser dado (porque os alunos não se comportam).
– (O professor) tem que cuidar com o que diz e o que faz, pois tudo favorece o aluno.
– Os alunos têm mais direitos do que deveres (..), conhecem os direitos e os usam para intimidar o professor.
– Com a nova LDB não podemos mais reprovar.

Em síntese, os professores reclamam da falta de interesse dos alunos com a escola, da ausência da família, pois consideram que o papel da escola é ensinar e o papel da família é educar, e, experienciam constrangimentos quando tentam formar de valores, além da perda de poder. Continuar a ler