Affective Implications of LGBT Rights Advancement in the Post-Yugoslav and Iberian Spaces: Towards a Research Agenda

vz.pngBojan Bilić, Investigador Pós-Doc (ICS-ULisboa)


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Neither numerous structural/historical accounts of activist victories nor widespread analyses of Europeanisation, activist NGO-isation, and human rights advancement are sufficient to capture affective ambiguities stirred by two opposing but contemporaneous processes that have been taking place in the European semi-periphery: impressive LGBT legal emancipation, on the one hand, and the increasing precarisation, on the other. This research project aims to bring together the post-Yugoslav (Serbia and Croatia) and Iberian (Portugal and Spain) spaces to examine affectively mediated ways in which recent LGBT rights evolution and an intense juridification of LGBT politics have been intertwined with the deterioration of economic and social networks. Continuar a ler

Entre redes: o que os jovens falam sobre as redes sociais digitais?

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Rafael G. Barreiro é professor na Universidade de Brasília (UnB), doutorando no Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e foi doutorando visitante no ICS/ULisboa.


 

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                                                  “Nobody likes me”, Graffiti in Stanley Park, Vancouver – Canadá

Atualmente, enfrentamos uma revolução comunicativa implementada por tecnologias digitais que estão ocasionando importantes transformações na forma como grupos sociais se relacionam. Dessa forma a popularização da internet, especificamente com o advento da Web 2.0, permite a interação entre pessoas via “redes sociais digitais”, compartilhando informações, formando grupos e tornando o ambiente virtual uma arena de acesso de diversos conteúdos e opiniões.

Massimo Di Felice, em sua obra “Do Público para as Redes” (2008), aponta que as mídias digitais transformam radicalmente as experiências sociais nos últimos tempos com a difusão da conexão e do acesso à internet de alta velocidade e móvel, oferecendo novos recursos para a construção de identidades nesses espaços comunicativos através das redes sociais online. Continuar a ler

Sociologia de uma singularidade editorial

emanuelEmanuel Cameira é estudante de  doutoramento em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e professor convidado no ISCTE-IUL.


Primeiro a &etc, depois a &etc na minha cabeça, e depois ainda o que fixei na tese doutoral, recentemente entregue para provas públicas. Conceitos, raciocínios, rizomas, mediações para novos encontros com a editora literária de Vitor Silva Tavares (1937-2015), veículo através do qual ele e outros se exprimiram.

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de “& etc” (de Cláudia Clemente, 2007)

Fiz minhas as seguintes premissas de Nuno Medeiros: “iluminar o papel de uma casa editora e interpretar a sua actividade como actor participante na dinâmica cultural dos contextos sócio-históricos em que actua, […] part[indo] justamente da ideia de observatório de indivíduos e editoras que sejam estudados como casos, procurando discernir itinerários singulares e tentando elaborar hermeneuticamente uma narrativa na qual estes itinerários adquiram sentido no quadro da sua ligação aos contextos em que têm lugar e aos processos em que participam[i]. Porque o panorama é este: uma sociologia e história da edição portuguesa da segunda metade do século passado até à actualidade pouco consolidadas em estudos de natureza intensiva ou compreensiva, capazes de manifestar interesse por quem (singularmente) interfere nos contornos dos campos editorial e literário. Por outras palavras, faltam trabalhos de timbre social e historiográfico incidindo em actores específicos, tanto sobre personagens como casas editoriais, para já não falar em livrarias.

Ora a investigação a que me abalancei orientou-se para o conhecimento de uma singularidade, conceito com que iniciei o trilho da pesquisa e que ganhou imediatamente relevo, tanto pela própria natureza do fenómeno em estudo como pelo alcance de uma linhagem que, dentro da disciplina sociológica, sempre achei intelectualmente intrigante e apelativa. A linhagem que, para o mundo da criação artística, com Nathalie Heinich, Idalina Conde ou Norbert Elias (sobretudo o Elias de Mozart. Sociologia de um génio), quis equacionar de uma nova forma esse “estado de irredutibilidade a que se associa certos indivíduos em virtude das suas acções ou obras, excluindo, por definição, a generalização, a busca de equivalência[ii].

Não sem relação, ponho a nu o que Paulo da Costa Domingos, autor/colaborador nuclear da &etc, escreveu num e-mail que me enviou: “é sempre interessante, para nós daqui deste lado da rua, ficarmos a saber que a Universidade ainda não conseguiu ruminar e digerir um território de acção poética”. Também Vitor Silva Tavares adensou o meu entusiasmo sociológico pela &etc quando, numa conversa que tivemos, disse: “esta editora não existe” – a capacidade reflexiva do objecto lembrava assim ao investigador o problema de perceber que desafios analíticos se levantavam para uma editora que parecia isolar-se do social, muito por força da singularidade procurada pelo seu editor.

Objecto sociológico interessante, inclusive para reflectir sobre o social, para perceber como as pessoas agem socialmente, a &etc de Vitor Silva Tavares foi por mim abordada numa multiplicidade de vias reflexivas, comunicantes, e mobilizando diferentes recursos de conhecimento – perscrutei representações produzidas em torno da editorial; reconstituí interacções implicando o editor, os autores, círculos de sociabilidade intelectual, outros indivíduos (tarefa indispensável para interpretar certas relações inscritas na história cultural portuguesa recente e das quais há carência de registos); explorei a complexidade social em que se alicerça a individualidade singular (de Vitor Silva Tavares, mais concretamente); trouxe a singularidade no seu estatuto de problemática à sociologia da edição…

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“Coisas” – 1.º livro publicado pela editora &etc
Fevereiro/Março de 1974
(capa de João Vieira)

Apenas para situar, refira-se que o dealbar do projecto &etc se deu ainda na segunda metade da década de 1960, na qualidade de magazine do Jornal do Fundão. Seguiu-se depois a revista autónoma com o mesmo nome, e a editora (de livros), funcionando desde 1973 até 2015. O afastamento reiterado da vertente mercantil, o regresso a certas formas de artesania e saber, o eclectismo das linguagens artísticas que congregou, a centralidade na afirmação de expressões marginais e de determinados grupos estéticos (realce-se, por exemplo, a ligação inicial a uma particular vaga do surrealismo português) ou o carácter de pólo despoletador de outras editoras foram, efectivamente, alguns dos traços de uma iniciativa editorial que pus sob a focagem das sociologias da cultura e da edição, contemplando as subjectividades, os sentimentos, e, muito importante, reivindicando um modo artesanal de produzir ciência – “A Sociologia como um pensar que ainda é um fazer, mas um fazer pensando[iii].


[i] Medeiros, Nuno. 2012. «João Romano Torres e C.ia: hermenêutica social de uma editora». Texto apresentado na Escola São Paulo de Estudos Avançados sobre a Globalização da bCultura no Século XIX, Universidade Estadual de Campinas (Brasil), 22 de Agosto, disponível em http://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2193/1/Jo%C3%A3o%20Romano%20Torres%20e%20Cia.pdf, acedido em Janeiro de 2016: 4 p.

[ii] Heinich, Nathalie. 1998. Ce que l’art fait à la sociologie. Paris: Les Éditions de Minuit.

[iii] Martins, José de Souza. 2014. Uma Sociologia da vida cotidiana: ensaios na perspectiva de Florestan Fernandes, de Wright Mills e de Henri Lefebvre. São Paulo: Editora Contexto.


Como citar este artigo: Cameira, Emanuel  (2017) ISociologia de uma singularidade editorial. Life Research Group Blog, ICS-ULisboa, https://liferesearchgroup.wordpress.com/2017/11/02/ 02 Novembro 2017 (Acedido a xx/xx/xx)