Entre redes: o que os jovens falam sobre as redes sociais digitais?

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Rafael G. Barreiro é professor na Universidade de Brasília (UnB), doutorando no Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e foi doutorando visitante no ICS/ULisboa.


 

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                                                  “Nobody likes me”, Graffiti in Stanley Park, Vancouver – Canadá

Atualmente, enfrentamos uma revolução comunicativa implementada por tecnologias digitais que estão ocasionando importantes transformações na forma como grupos sociais se relacionam. Dessa forma a popularização da internet, especificamente com o advento da Web 2.0, permite a interação entre pessoas via “redes sociais digitais”, compartilhando informações, formando grupos e tornando o ambiente virtual uma arena de acesso de diversos conteúdos e opiniões.

Massimo Di Felice, em sua obra “Do Público para as Redes” (2008), aponta que as mídias digitais transformam radicalmente as experiências sociais nos últimos tempos com a difusão da conexão e do acesso à internet de alta velocidade e móvel, oferecendo novos recursos para a construção de identidades nesses espaços comunicativos através das redes sociais online.

Nessa projeção em que a internet vem transformando o sistema comunicativo da nossa sociedade, tenho buscado entender na minha pesquisa de doutorado a relação dos ambientes virtuais com a juventude urbana. Assim, como campo exploratório da minha pesquisa, busquei o dialogo com diferentes grupos de jovens afim de saber suas visões perante aos ambientes virtuais.

Para essa tarefa, realizei enquanto método algo que denomino de “oficina de atividade”, técnica semelhante às dinâmicas grupais, e que busca a partir do desenvolvimento de uma atividade relacionada a temática proposta, uma reflexão critica sobre determinado assunto. No Brasil realizei as oficinas em grupos que já possuíam uma inserção em diferentes contextos (escola, centros de lazer, etc.), e em Portugal aproveitei duas oportunidades: uma oficina foi realizada com jovens durante uma escola de verão da Universidade de Lisboa, e outra em um grupo de jovens participantes de um projecto social na região da Amadora.

A atividade consistia na confecção de perfis dentro das redes sociais digitais, a partir de um banco de imagens diversas e de diferentes temas (esporte, música, lazer, comportamento, humor, etc,), a partir das quais os jovens expunham o que gostavam ou não de acessar, e as pessoas que gostavam de “seguir” nas redes – algo que a comunicação aponta como digital influencers, ou seja, jovens que utilizam suas mídias digitais para influenciar determinados grupos sociais.

As oficinas realizadas tanto no Brasil como em Portugal trouxeram resultados que se aproximam e se divergem a depender das características dos grupos. É fato que os ambientes virtuais potencializam uma inserção do jovem a uma infinidade de saberes. Porém, esses saberes tornam-se diferentes quando visualizamos diferentes culturas juvenis.

A questão territorial, por exemplo, foi algo que os jovens portugueses expuseram com mais ênfase, associando em seus perfis temas que demonstravam características dos lugares que residiam e suas culturas locais. Para os jovens brasileiros a questão musical foi enfatizada, demonstrando o posicionamento de uma cultura juvenil exposta a principio pelos gostos musicais atribuídos. Temas como diversidade de gênero ou desigualdade social, foram apresentados em grande parte pelas jovens mulheres nos diversos grupos realizados, demonstrando uma maior sensibilidade e aceitação sobre essas questões.

Dentro de todos os perfis foram expostos os digital influencers, pessoas que os jovens seguem pelas afinidades com o conteúdo que é publicado em diversos temas. Ao todo foram computados mais de 40 influenciadores nas oficinas. Com esses dados é possível refletir que a exposição de culturas juvenis nos ambientes virtuais é uma realidade no mundo atual e o aprofundamento nessa questão torna-se relevante enquanto objeto de pesquisa.

A juventude contemporânea apresenta uma diversidade de opinões e escolhas que traduzem as suas especificidades enquanto classe social, desviando-se da prerrogativa do senso comum de que a internet é, atualmente, um ambiente de uso prioritariamente do jovem. Com a realização das oficinas, pode se perceber que as redes sociais digitais possuem um impacto significativo na nossa sociedade, como meio de circulação de informações, opiniões e influências nos cotidianos juvenis, e refletem a organização social sob os modos de vida desses jovens.

Assim como afirma José Machado Pais, no texto “Tessituras do tempo na contemporaneidade”, publicado no periódico ArtCultura de 2016, quanto mais interativo é um processo de comunicação, mais a palavra voa e maior é a probabilidade de formação de processos de ação coletiva, ou seja, a comunicação se torna acima de tudo um processo cultural, que pode interconectar culturas diferentes tamanha sua diversidade, produzindo uma grande teia cultural, ou melhor dizendo, uma grande rede social.


Como citar este artigo: Barreiro, Rafael (2017) Entre redes: o que os jovens falam sobre as redes sociais digitais?.  Life Research Group Blog, ICS-Lisboa, https://liferesearchgroup.wordpress.com/2017/11/15 15 de Novembro 2017 (Acedido a xx/xx/xx)

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