What’s in a Diary? An Autoethnographic Tale about Self-Narratives

IMG_20180628_115228David Primo is PhD candidate in Social Sciences at the University of Padua, and Visiting PhD at ICS-ULisboa.


Can the private life of a researcher be of scientific interest? A long-standing tradition of research inspired by the (neo)positivist scientific research maintains the idea that the subjectivity of the researcher is a disturbing element that should be erased. Nonetheless, the constructionist turn in social and human sciences undermined the idea that the researcher can be a neutral observer.

Autoethnography develops the non-neutrality of the researcher and claims that personal experiences could be a starting point of the investigation of the cultural context. Indeed, a common idea shared by different approaches to autoethnography is that the awareness about one’s own symbolic and material position in society can shed a light on the power dynamics which are at play in different situations.

But what is Autoethnography?

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Chang (2008, p. 43) affirms that “stemming from the field of anthropology, autoethnography shares the storytelling feature with other genres of self-narrative, but transcends mere narration of the self to engage in cultural analysis & interpretation”. Therefore, what defines this method is the explicit intent to find a link between personal experiences and cultural processes. Continuar a ler

Fazer o futuro no presente? Jovens em condição NEEF e o programa Garantia Jovem

MMVMaria Manuel Vieira é investigadora auxiliar no ICS-ULisboa

TF Tatiana Ferreira é bolseira de investigação no ICS-ULisboa

LPLia Pappámikail é professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém e na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa


No contexto da crise económica e do preocupante aumento da taxa de desemprego, especialmente entre os jovens, a Comissão Europeia decide lançar em 2013 o Programa Garantia Jovem (GJ). Destinado a combater a exclusão de jovens, com menos de 25 anos, que não estão em emprego, educação ou formação (NEEF), o programa garante uma oferta de emprego, continuidade de estudos ou proposta de formação ou estágio aos jovens no prazo de 4 meses após ficarem desempregados ou abandonarem a escolaridade formal.

Replicado à escala nacional, cada Estado membro é nesse contexto instado a desenvolver uma estratégia de implementação adequada às características do mercado de trabalho e público-alvo locais. Em Portugal, estes últimos apresentam características específicas. Com efeito, o desemprego entre os jovens portugueses no período mais crítico da crise em 2013, atingiu não só aqueles com idades inferiores a 25 anos (28,9%, 10 p.p. superior à média EU28), mas também os jovens mais velhos (21,9% entre os jovens com idades compreendidas entre os 25 e os 29 anos, 7,3 p.p. superior à média EU28) justificando que, no caso português, a implementação do programa GJ se estendesse a jovens até aos 30 anos. A estratégia de implementação definida por Portugal tem assentado na dinamização de uma rede de parceiros locais que sinalizam e registam os jovens na plataforma on-line criada para o efeito, encaminhando-os posteriormente para uma das medidas previstas. Continuar a ler

Porque partilham os homens a licença parental inicial? E o que pensam disto os empregadores?

mafaldaMafalda Duarte Leitão é doutoranda em Sociologia no ICS-ULisboa.


foto temaPorque é que em 2009 a “licença por maternidade” passou a designar-se “licença parental inicial” dirigida a ambos os progenitores para a dividirem conforme desejarem (após seis semanas obrigatórias para a mãe)? Porque é que o Estado oferece mais 30 dias de licença bem paga se o pai ficar de licença, pelo menos, um mês, sozinho com o bebé, depois de a mãe regressar ao trabalho?
Porque persiste uma grande desigualdade entre homens e mulheres no que respeita à participação e à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, por via das assimetrias que também persistem na participação de ambos os sexos no trabalho doméstico e no trabalho cuidador não pago, realizado na esfera privada da vida familiar. E porque essa desigualdade não só contradiz princípios de justiça e de igualdade social, fundadores das sociedades democráticas contemporâneas, como começa a comprometer o seu crescimento económico e desenvolvimento global.

Falo de uma nova geração de políticas especificamente desenhadas para mobilizar o pai para a esfera privada dos cuidados. Falo, em concreto, dos cuidados às crianças e de licenças que os proporcionam por ocasião do nascimento. Convém dizer que em 1995, praticamente vinte anos depois da introdução da licença por maternidade, tornou-se possível dividi-la entre o pai e a mãe, se ambos assim o desejassem. Mas esta lógica da substituição da mãe pelo pai, sem qualquer incentivo em tempo e/ou dinheiro, teve pouco impacto nas práticas dos atores. Só com a introdução do bónus de partilha em 2009, agora numa lógica de complementaridade, é que se conseguiu modificar o perfil de utilização da principal licença associada ao nascimento de uma criança. Continuar a ler