Estereótipos e (des)igualdades de género

Entre 2 e 6 de julho o ICS-ULisboa participou mais uma vez na iniciativa da Reitoria Verão na ULisboa, acolhendo 18 alunos do ensino secundário para uma semana de atividades diversas a que foi dado o rótulo “Aventuras com as Ciências Sociais”.

No final da semana, os alunos orientados por investigadores do LIFE Research Group foram convidados a escrever um post sobre a sua experiência para o nosso blogue. Os investigadores responsáveis acrescentaram uns parágrafos de enquadramento a cada post.​ Hoje publicamos o primeiro, em torno da temática dos Estereótipos e (Des)Igualdades de Género, escrito por Rita Correia (investigadora no ICS-ULisboa), Hebe Ferreira e Joana Marques (estudantes do Ensino Secundário).

****************************************

Desconstruindo estereótipos: caminhos para a igualdade de género

por Rita Correia, ICS-ULisboa

A possibilidade de participar numa escola de Verão com alunos do ensino secundário é sempre uma excelente oportunidade de pôr em prática a ciência que fazemos diariamente e as recomendações que fundamentamos com os dados recolhidos. O facto de expormos estes temas em linguagem acessível e permitirmos aos jovens que reflitam e nos transmitam as suas próprias impressões é um processo de diálogo ciência/sociedade sempre enriquecedor.

 A minha ideia na preparação desta sessão passou também pela sensibilização dos jovens participantes para a importância da Psicologia Social na atualidade, em que os conflitos intergrupais estão na ordem dia em Portugal, mas também no mundo, nomeadamente no que diz respeito às atitudes face aos migrantes e refugiados. Estabelecida essa relevância da Psicologia Social e outras Ciências Sociais e respondidas algumas questões sobre o trabalho de um cientista social, focamo-nos na compreensão do que são estereótipos, a sua origem e porque razão estes levam a tratamentos desiguais.

Sendo a sessão especificamente sobre estereótipos de género e desigualdades, utilizámos dinâmicas que nos levaram a desmontar em conjunto estereótipos conhecidos, nomeadamente através da aplicação de um Bingo Contra Estereótipos. Através deste jogo cada jovem, organizado em grupos de trabalho, facilmente “ganhava” encontrando exemplos contra estereótipos de género. E desta forma os seus resultados criaram uma discussão interessante entre todos que desmontou algumas ideias feitas sobre traços e papeis de género. Continuar a ler

O jornalismo sob o olhar de ex-jornalistas

jnmJosé Nuno Matos é investigador em Pós-Doutoramento no ICS-ULisboa


Eu antigamente escrevia para [título de publicação], agora escrevo para os órgãos nacionais todos”. Ao contrário do que possa parecer, esta frase não foi proferida por uma jornalista. Ela surgiu numa entrevista a Rosa [nome fictício], 37 anos à altura, a trabalhar atualmente no departamento de relações públicas de uma empresa de telecomunicações. A frase supracitada remetia, precisamente, para uma comparação entre o emprego anterior, enquanto jornalista, e a sua nova condição sociolaboral.

IMG_20180131_154227.jpg

O depoimento foi recolhido no âmbito de uma investigação em torno da relação entre precariedade laboral e jornalismo. O seu principal fim é compreender o lugar ocupado pelo precariedade nos percursos sociais dos jornalistas, em particular as suas consequências sobre a prática profissional. Por mais que paradoxal que possa parecer, o estudo da condição social de ex-jornalistas poderá contribuir para o cumprimento deste objetivo. O estudo do jornalismo com base nas experiências quem já não o exerce permite: a) compreender os motivos que conduziram ao fim da atividade; b) conhecer as novas áreas de emprego (ou desemprego) e o seu nível de proximidade com o jornalismo; c) o acesso a uma reflexividade suscitada pela distância temporal e espacial em relação ao objeto em causa. Continuar a ler

Atitudes sociais face aos direitos e competências parentais de casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal

ritaRita Gouveia é Investigadora em Pós-Doutoramento no ICS-ULisboa


Começo este post no dia em que, coincidência ou não, assistimos à vitória de Tiago Rufino no reality show “Secret Story 7”, um programa de grande audiência em Portugal transmitido no canal de televisão nacional TVI.

coracaoTiago, juntamente com Luan, o seu cônjuge e também participante do programa, levava o segredo “somos casados”. Tinha nesta participação o intuito de procurar o apoio dos seus familiares relativamente à sua relação conjugal e à sua orientação sexual. Mais, para além deste objetivo mais pessoal, referiu inúmeras vezes que pretendia suscitar o debate na sociedade portuguesa sobre a homossexualidade.

E como pensam os portugueses a homossexualidade? De que modo é que a homossexualidade desafia as representações, os significados e as práticas de família em Portugal? E de que forma homens e mulheres homossexuais residentes em Portugal vivem e constroem as suas relações pessoais e familiares ao longo dos seus percursos de vida? Continuar a ler