“De quem é a escola? A quem a escola pertence?”: estudantes secundaristas e a ocupação das escolas no Paraná, em 2015

7.pngValéria Floriano é professora na Universidade Federal do Paraná (UFPR, Brasil) e investigadora-visitante no ICS-ULisboa.


A frase que dá o título a este post, foi pronunciada numa voz embargada e decidida pela estudante secundarista Ana Julia. Foi assim, provocando a audiência, que iniciou o seu discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do  Estado do Paraná, em defesa das ocupações das escolas.  Era o dia  26 de outubro de 2016 e o movimento de ocupações, deflagrado, em 03 de outubro, contava com 850 escolas ocupadas, 14 Universidades e 3 Núcleos de educação.

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Mas afinal, que movimento foi esse que precisava ser defendido em audiência pública?

Para começar, não creio que seja possível compreender o movimento dos estudantes secundaristas e a potência do processo de ocupações das escolas, sem lembramos do contexto que antecedeu a denominada “Primavera Secundarista” (teaser) Continuar a ler

OCUPAR A ESCOLA, OCUPAR A POLÍTICA: QUESTÕES, SURPRESAS, ALENTOS

miriam.pngMiriam Leite é professora na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ, Brasil) e investigadora-visitante no ICS-ULisboa.


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Desde 2015, diversos estados do país têm assistido a ocupações de escolas públicas por suas estudantes, sobretudo, secundaristas, mas também com presença de ativistas dos últimos anos do ensino fundamental. Mobilizam-se por questões com importante dimensão local – como, por exemplo, por voz e democracia nas escolas, contra a chamada “reorganização escolar”, em 2015, em São Paulo, ou em reação às decorrências do severo corte de verbas para a Educação ocorrido no contexto de falência financeira do estado do Rio de Janeiro, em 2016 – mas também em resposta a iniciativas conservadoras em nível nacional, como a emenda constitucional promulgada em dezembro de 2016, que congelou os gastos públicos por 20 anos, e por lutas ainda mais amplas, como pelos direitos das mulheres, das pessoas negras, lgbt, jovens, pobres.

Pobre, sempre falaram isso pra mim, pobre, preta, sapatão e estuda em colégio público. Tudo pra dar errado. A gente vê todos os preconceitos numa coisa só, numa coisa só, entendeu? (Aluno[1], 16 anos, 2ª série, Grande Rio 1)

Tive o privilégio de pesquisar sobre essa ação política, de que me aproximei por diversos caminhos: páginas do Facebook mantidas pelas ocupações, vídeos no YouTube produzidos por ou sobre o movimento, visitas a escolas ocupadas na região do Grande Rio, e discussões com grupos de ativistas das escolas visitadas (gravadas e transcritas). De fato, um privilégio. Continuar a ler

O futuro em aberto: diversidade e desafios da inserção dos jovens no mercado de trabalho

Entre 16 e 20 de Julho o ICS-ULisboa participou mais uma vez na iniciativa Ciência Viva no Laboratório – Ocupação Cientifica de Jovens nas Férias, com um estágio promovido pelo Observatório Permanente da Juventude com a temática – O futuro em aberto: diversidade e desafios da inserção dos jovens no mercado de trabalho.

No final da semana, os alunos foram convidados a escrever um post sobre a sua experiência para o blogue LIFE Research Group. A investigadora responsável pelo estágio acrescentou uns parágrafos de enquadramento ao post.​

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O futuro em aberto: diversidade e desafios da inserção dos jovens no mercado de trabalho

Tatiana Ferreira, investigadora ICS-ULisboa

Organizar um estágio direcionado a alunos do ensino secundário é sempre um grande desafio, sobretudo na procura de uma temática que vá ao encontro dos seus interesses e expectativas. Com base nos resultados de pesquisas desenvolvidas recentemente no Observatório Permanente da Juventude surgiu o tema O futuro em aberto: diversidade e desafios da inserção dos jovens no mercado de trabalho, para uma semana de atividades com estudantes do ensino secundário.

Os jovens tiveram a oportunidade de ser investigadores durante uma semana e desenvolver um mini projeto de investigação sociológica. Aprenderam como os cientistas sociais estudam e compreendem a realidade social, acompanhando as etapas de um processo de pesquisa, desde a definição de um problema e de hipóteses de partida até à aplicação de alguns métodos e técnicas de investigação científica. Continuar a ler

Posso dar a minha opinião? Um Focus Group sobre Animais de Companhia

Verónica Policarpo, investigadora no ICS-ULisboa

Constança Agostinho e Maria de Fátima Pires, alunas no Ensino Secundário

 

Entre 2 e 6 de julho o ICS-ULisboa participou mais uma vez na iniciativa da Reitoria Verão na ULisboa, acolhendo 18 alunos do ensino secundário para uma semana de atividades diversas a que foi dado o rótulo “Aventuras com as Ciências Sociais”.

No final da semana, os alunos orientados por investigadores do LIFE Research Group foram convidados a escrever um post sobre a sua experiência para o nosso blogue. Os investigadores responsáveis acrescentaram uns parágrafos de enquadramento a cada post.​ Hoje publicamos o segundo, em torno da temática das relações entre humanos e animais de companhia, escrito por Verónica Policarpo (investigadora no ICS-ULisboa), Constança Agostinho e Maria de Fátima Pires (alunas no Ensino Secundário).

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O que é um animal de companhia? Como se define, e como os distinguimos de outros animais, e de outras espécies? Como é a nossa vida com esses animais que temos em casa? E como é a vida desses animais connosco? São felizes? Sofrem? Quando? Porquê? Porque razões temos animais nas nossas casas? Isso é benéfico para ambos – pessoas e animais? Se sim, quando e em que circunstâncias deixa de ser? Quem trata deles? As suas necessidades são sempre atendidas?

Estas foram algumas das questões que discutimos na atividade de Verão no ICS-ULisboa, com o título Posso dar a minha opinião? O objetivo desta atividade era dar a conhecer aos jovens pré-universitários uma parte do ofício de sociólogo, e o que fazem os cientistas sociais quando querem conhecer a opinião das pessoas sobre um determinado tema. Continuar a ler