As mulheres e o associativismo em Portugal (1914-1974)

isabel

 

Isabel Freire é socióloga e investigadora no ICS-ULisboa.


cropped-dkO projeto de investigação WOMASS (do inglês Women and Associativism) estuda organizações femininas e feministas criadas em Portugal entre 1914 e 1974. Desenvolvido no ICS-ULisboa, sob coordenação de Anne Cova (historiadora) e cocoordenação de Vanda Gorjão (socióloga), com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/HAR-HIS/29376/2017), tem uma duração estimada de 3 anos (2018-2021), e conta com uma equipa de 10 investigadores afiliados em 5 organismos nacionais (ICS-UL, ISCSP-UL, NOVA FCSH, Universidade Católica e Universidade do Minho): Ana Costa Lopes, Fátima Mariano, Isabel Freire, João Esteves, Manuela Tavares, Natividade Monteiro, Raquel Rego e Sílvia Espírito-Santo fazem parte da equipa.

WOMASS contribui para o desenvolvimento da história política em Portugal numa perspetiva de género, através do estudo de associações de mulheres com um papel significativo em termos políticos e sociais, entre o início da Primeira Guerra Mundial e a Revolução dos Cravos.

A duração do período em estudo (seis décadas) permitirá analisar as mudanças ocorridas nas estruturas e dinâmicas das associações, provenientes de diferentes contextos políticos, nomeadamente de apoio e de oposição (clandestina, legal ou semilegal) ao regime do Estado Novo.

O projeto desenvolverá uma análise de redes das organizações estudadas, facilitadora da compreensão de inter-relações na sua fundação e desenvolvimento.

O Conselho Nacional da Mulheres Portuguesas (CNMP) é uma das 15 organizações centrais estudadas pelo WOMASS. Em 1914, integrava o Internacional Council of Women (Washington, EUA) juntamente com 21 outros conselhos espalhados pelo mundo. Criado em 1914 e extinto pelo Estado Novo em 1947, o CNMP constituiu-se também como uma federação de 23 associações femininas portuguesas que serão incluídas no plano de pesquisa do Projeto.

Ao longo dos 33 anos de existência, o Conselho desenvolveu uma campanha doutrinária centrada na publicação de um órgão de propaganda – designado Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas entre 1914 e 1916, Alma Feminina entre 1917 e 1946, e A Mulher entre 1946 e 1947 – na participação e organização de conferências, congressos, representações e petições. O trabalho desenvolvido pelo CNMP foi organizado em comissões temáticas (educação, higiene, paz, propaganda, arte, assistência social, beneficência, emigração, finanças, imprensa, legislação, moral e sufrágio), algumas das quais com duas décadas de duração.

Cinco das associações centrais estudadas pelo WOMASS desenvolveram atividade durante a primeira Guerra Mundial: Comissão Feminina «Pela Pátria» (1914-1917); Assistência das Portuguesas às Vítimas da Guerra (1916-1918); Cruzada das Mulheres Portuguesas (1916-1935); Núcleo Feminino de Assistência Infantil da Junta Patriótica do Norte (1916-1938) e Comissão Protectora dos Prisioneiros de Guerra Portugueses (1918-1919).

Uma das associações centrais do projeto é criada nos anos 1930: Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1935-1952)​.

Cinco dos organismos estudados pelo WOMASS constituíram comissões políticas eleitorais entre os anos 1940 e os anos 1950: Comissão Feminina do Movimento de Unidade Democrática (1945-1947); Comissão Feminina Eleitoral da Candidatura de Arlindo Vicente (1948); Comissão Feminina Eleitoral da Candidatura de Norton de Matos (1948-1949); Movimento Nacional Democrático Feminino do Movimento Nacional Democrático (1949-1957) e Comissão Feminina Eleitoral da Candidatura de Humberto Delgado (1958).

Apenas uma das organizações estudadas se desenvolve na esteira política do Estado Novo: Movimento Nacional Feminino (1961-1974). E duas das associações mantêm atividade até aos nossos dias: Movimento Democrático de Mulheres (desde 1968) e Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas (desde 1919).

Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Cecília Supico Pinto, Cesina Bermudes, Dulce Rebelo, Elzira Dantas Machado, Elina Guimarães, Helena Neves, Helena Pato, Isabel Aboim Inglez, Irene Lisboa, Luísa Amorim, Manuela Porto, Maria Amália de Carvalho Burnay, Maria Barroso, Maria Lamas e Natália Correia são alguns dos nomes de mulheres envolvidas na fundação e desenvolvimento da atividade destas organizações, nalguns casos militando em mais do que um destes projetos políticos e sociais.

Mais informações sobre as organizações em estudo podem ser consultadas no site do WOMASS. No mesmo endereço e nas redes sociais  há informações atualizadas sobre iniciativas relacionadas com a investigação, comunicação e divulgação do projeto.


Como citar este artigo: Freire, Isabel (2019). As mulheres e o associativismo em Portugal (1914-1974). Life Research Group Blog, ICS-Lisboa, https://liferesearchgroup.wordpress.com/2019/10/10 10 de outubro (Acedido a xx/xx/xx)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s