Educational provision and professional training for youth in contemporary art museums| 26 Janeiro | 11h





Na próxima terça-feira, dia 26 de janeiro de 2021, o LIFE Webinars contará com a participação de Carolina Silva, do ICS-ULisboa.


Os jovens são muitas vezes vistos como ‘outsiders’ nos públicos dos museus, especialmente quando considerados como visitantes independentes – fora do contexto escolar ou de visita em família. No entanto, nas últimas décadas tem-se registado um crescente investimento em programas para jovens, com destaque para iniciativas continuadas, sustentadas numa abordagem de cocriação – para e com os jovens.

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Carolina Silva e a educação e formação para jovens em museus de arte contemporânea

Carolina Silva é investigadora no ICS ULisboa com uma Bolsa Marie Curie – Career restart (2020-2023), com o projecto “Educational provision and professional training for youth in contemporary art museums”, com supervisão de Vítor Sérgio Ferreira.

Quando é que o teu interesse em trabalhar/investigar o domínio da educação artística se tornou uma coisa ‘séria’?
É um interesse movido por uma grande curiosidade e inquietude, e como tal é acima de tudo uma coisa ‘viva’. Embora tenha formação em belas artes, como artista, desde cedo percebi que me interessava tanto ou mais pelas relações que as pessoas criam com a arte, e entre si através da arte, do que pela arte enquanto prática individual. A educação artística em Portugal é uma área pouco densa, tanto no domínio profissional como da investigação, o que não ajudou a ancorar a minha vontade em explorar este território. Diria por isso que foram vários encontros e momentos ao longo do meu percurso que contribuíram e contribuem para ver o meu trabalho em educação artística também como uma coisa ‘séria’.

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Livros em Novembro

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Nesta rubrica mensal damos destaque às publicações de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULIsboa).

Na edição de novembro do Post Scriptum dedicada a livros, o destaque vai na integra para O Choque Tecno-liberal, os Media e o Jornalismo, livro publicado sob a coordenação de José Luis Garcia e com a participação de Teresa Duarte Martinho e José Nuno Matos, entre outros investigadores.

Publicada com a chancela da Afrontamento, esta obra está organizada em três partes. Na primeira parte reunem-se textos que discutem as transformações recentes no jornalismo, impulsionadas pelo processo de digitalização e pela viragem neoliberal. Na segunda parte abordam-se as contradições do paradigma da colaboração nas modalidades de produção informativa digital. A terceira parte explora alguns cenários da precarização no jornalismo. A conclusão desenvolve uma visão simultaneamente ampla e crítica sobre os efeitos da digitalização e da liberalização do panorama mediático português.

Sem dúvida, uma obra importante no contexto actual. Boas leituras!

LIVROS e CAPÍTULOS

José Luís Garcia (Coord.), Teresa Duarte Martinho, Diogo Silva da Cunha, Marta Pinho Alves, José Nuno Matos, Sara Meireles Graça
O choque tecno-liberal, os media e o jornalismo: estudos críticos sobre a realidade Portuguesa
Lisboa: Almedina
ISBN 978-972-40-8638-5
http://hdl.handle.net/10451/44669

José Luís Garcia
Finalizar um livro sobre comunicação, media e jornalismo em Portugal na conjuntura da pandemia provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2: fragmentos para uma introdução
In Garcia, J. L. (coord.), Martinho, T. D., Cunha, D. S. da, Ramalho, J., Alves, M. P., Matos, J. N., Graça, S. M. (Eds.), O choque tecno-liberal, os media e o jornalismo: Estudos críticos sobre a realidade Portuguesa, pp. 9-24
Lisboa: Almedina
ISBN 978-972-40-8638-5
http://hdl.handle.net/10451/44670

José Nuno Matos
Carga de Trabalhos: o jornalista que é procurado na web
In Garcia, J. L. (coord.), Martinho, T. D., Cunha, D. S. da, Ramalho, J., Alves, M. P., Matos, J. N., Graça, S. M. (Eds.), O choque tecno-liberal, os media e o jornalismo: Estudos críticos sobre a realidade Portuguesa, pp. 293-312
Lisboa: Almedina
ISBN 978-972-40-8638-5
http://hdl.handle.net/10451/44623

Teresa Duarte Martinho
Artes, curadoria informacional e reputação na revista Artecapital
In Garcia, J. L. (coord.), Martinho, T. D., Cunha, D. S. da, Ramalho, J., Alves, M. P., Matos, J. N., Graça, S. M. (Eds.), O choque tecno-liberal, os media e o jornalismo: Estudos críticos sobre a realidade Portuguesa, pp. 203-228
Lisboa: Almedina
ISBN 978-972-40-8638-5
http://hdl.handle.net/10451/44625

José Luís Garcia, Teresa Duarte Martinho
Conclusão: tendências críticas da digitalização e da liberalização dos media para o jornalismo português
In Garcia, J. L. (coord.), Martinho, T. D., Cunha, D. S. da, Ramalho, J., Alves, M. P., Matos, J. N., Graça, S. M. (Eds.), O choque tecno-liberal, os media e o jornalismo: Estudos críticos sobre a realidade Portuguesa, pp. 323-348
Lisboa: Almedina
ISBN 978-972-40-8638-5
http://hdl.handle.net/10451/44624

Sílvio Carvalho e a performance biográfica pela canção com docentes do ensino básico

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Sílvio Roberto Silva Carvalho, graduado em Pedagogia e doutor em Artes Cénicas, é professor adjunto da Universidade Federal da Bahia.

Ateliês de performances biográficas pelas canções populares: impactos de uma experiência (autoformativa) é a pesquisa de pós doutoramento que desenvolve como investigador-visitante no ICS-ULisboa, com a supervisão de José Machado Pais.

Que estudo tem em mãos?
Um estudo sobre a potência da canção popular na produção de processos de subjetividade, desenvolvida no meu doutoramento (Construções Biográficas pelas Canções Populares), e que será publicada, ainda este ano, pela Cátedra de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Há um ano retomei a pesquisa sobre a temática, com foco na formação continuada de professores da Escola Básica. A estratégia é a realização de ateliês de performances biográficas pelas canções, com professores da Escola Básica, nas cidades de Braga e Guimarães.

Infelizmente, a pandemia interrompeu o andamento do projeto. Os sujeitos da pesquisa, com o ensino remoto, não tiveram condições físicas e psicológicas para continuarem, mesmo virtualmente. Portanto, estou a repensar o projeto.

Como o situa no seu percurso biográfico/académico?
Nunca pensei ser professor. Sempre quis ser artista. Desde os 12 anos toco violão, gosto de cantar e contar. Acontece que sou de uma família pobre, nascido em uma cidade pequena do interior da Bahia, onde livros eram coisa rara. Mas os sonhos de estudar, ser artista e morar na cidade grande eram maiores que as limitações. Ao chegar em Salvador, com 18 anos, tive que trabalhar para me sustentar e ajudar meus pais nas despesas com a família que, àquela altura, era formada por mais seis filhos além de mim, o mais velho. A vida foi difícil, mas com muitas possibilidades.

Ao fazer o vestibular para ingressar na Universidade não tive dúvida: matriculei-me no curso de música. Fui aprovado, mas não pude cursá-lo, o curso era diurno e eu trabalhava o dia inteiro. Como só tinha horário livre à noite, procurei um curso noturno. O único que me agradou foi pedagogia. Na universidade descobri que havia muitas possibilidades para incluir as minhas artes nos processos pedagógicos.

Todo o meu percurso de pesquisa (especialização, mestrado e doutorado), de uma certa maneira, foi voltado para questões relacionadas à leitura de mundo, de si e do outro, sempre utilizando-me da canção. E por trabalhar com essas questões de leitura, senti-me estimulado e, de certa maneira, na obrigação de pensar uma metodologia de trabalho que possibilitasse a ressignificação das questões subjetivas dos sujeitos participantes, que gerasse uma abertura na relação desses com os saberes formais e não formais e, consequentemente, que pudesse ser um campo concreto de pesquisa.

Amparado nas abordagens (auto)biográficas, passo a desenvolver os ateliês de performances biográficas pelas canções populares, uma proposta teórico-metodológica de autoformação, que, através das histórias de vida, busca colocar em cena o “eu” e o “outro” e tem como ponto de partida as canções que marcaram as vidas dos sujeitos. É com esse trabalho que me coloco na condição de pesquisador e educador, inclusive como investigador-visitante do ICS. Mas gosto muito de me afirmar como professor-artista. Ou vice-versa, a depender da situação.

O violão, as canções e as narrativas sempre estiveram presentes na minha vida de estudante de pedagogia, de professor universitário, de palestrante etc. Não sei fazer nada sem envolver essa tríade, sem trazer a minha arte intuitiva.

O recolhimento e o isolamento social gerados pela atual situação pandémica inspiraram muitas canções e performances em novas janelas. Inspirador para o seu objecto e/ou método de estudo?
Certamente. O recolhimento e o isolamento social foram fundamentais para repensar o meu objecto e o próprio método de estudo. Por exemplo, vi a possibilidade de construir um formato online para desenvolver os ateliês. Embora já tivesse feito muita coisa nas linguagens das novas tecnologias, ainda não tinha pensado, concretamente, na possibilidade de realizá-los virtualmente.

Neste período, também, observei a música como a grande companheira de muitas pessoas, inclusive daquelas que não tinham ou perderem o hábito de ouvir música de forma contemplativa. Eu mesmo me vi apreciar, de forma muito diferente, canções que considerava razoáveis. Durante o isolamento social, essas canções ganharam, de mim, novos significados.

O recolhimento e o isolamento social inspiraram-me, também, a produzir novas canções e performances em novas janelas. Pelo menos uma nova canção ficará pronta até o meu retorno ao Brasil. Novas performances foram produzidas por mim durante o respectivo período, em forma de série de vídeos: Histórias de Maria. É um trabalho autobiográfico, centrado nas ambiências afetivas produzidas pela personagem principal: Maria.

Onde viveu a maior parte da sua vida e o que gostaria de destacar desse lugar?
A maior parte da minha vida vivi em Salvador/Brasil. Saí da minha terra natal, Inhambupe (interior da Bahia), com 18 anos, a fim de estudar e trabalhar na capital.

Inhambupe era uma pequena cidade do nordeste brasileiro, marcada por uma praça, uma igreja católica no centro, algumas ruas, duas escolas primárias e um colégio secundário, uma população urbana com aproximadamente 4 mil habitantes, uma feira animada por cantadores de cordel, um cinema improvisado e um alto-falante que funcionava das 18 às 22 horas, com energia elétrica à base de um gerador que só funcionava, também, nesse mesmo período de horas.

Livros, por lá, eram coisa rara. Mas, até à adolescência, as narrativas e as canções lançaram mundos na minha imaginação e ajudaram-me a transpor os limites impostos pelas condições econômicas em que vivíamos. Em outras palavras, foram o ponto de partida para que algo se movesse em mim, fizeram-me romper tratados, trair ritos, ajudaram-me a ampliar o tempo, a transcender o presente e a inventar mares e cais. Ou seja, impediram-me de ficar fora do mundo.

Por fim, as narrativas e as canções de alto-falante (conceito que uso na minha tese) foram os meus livros, fizeram-me leitor. Essas experiências, construídas em Inhambupe, foram imperativas na minha formação, no meu gosto pela palavra, pela música, pela arte.

Em Salvador, o encantamento com o mundo urbano. Os cinemas, os teatros, a universidade, o estádio de futebol, os bares, o mar… Apaixonei-me pela cidade. Hoje, é nela e dela que vivo. De Inhambupe trago os princípios, os valores, as crenças, os saberes não formais. De Salvador, a formação acadêmica, a descoberta de novas belezas, a sobrevivência.

Que músicas e que histórias biográficas vêm despertando da sua vivência em Portugal?
Nesses tempos de isolamento, até mesmo pelo fato de não ter podido desenvolver os ateliês junto aos professores das escolas selecionadas para a pesquisa, muitas foram as canções que me visitaram, inclusive os fados antigos que ouvia quando era criança. Contudo, a emoção mais forte aconteceu no dia primeiro de maio.

Às 20 horas, inesperadamente, ouvi os sinos da igreja, que fica ao lado da minha casa em Braga, tocarem “Treze de Maio”, canção religiosa que conta a aparição da Virgem Maria aos pastorinhos de Fátima. Logo nas primeiras notas, indentifiquei os primeiros versos: “A treze de maio / na Cova da Iria / No céu aparece / A Virgem Maria”. A minha infância veio toda e fiquei muito emocionado. Primeiro, as imagens das meninas da minha terra natal vestidas de anjos, a levar flores para Nossa Senhora durante todo o mês de maio. Depois, as imagens da minha madrinha a contar-me a história dos três pastorinhos, da Cova da Iria, da cidade de Fátima, da aparição da Virgem, e eu ali, junto a ela, com medo de que a Santa aparecesse para mim.

A partir desse dia, uma nova canção vinha-me à lembrança e remetia-me ao período da minha infância, em Inhambupe. A emoção era muito forte e fazia lembrar-me da minha madrinha a contar-me uma história ou a ouvir o repertório musical que tocava no rádio da sua casa. Foram tantas as lembranças que resolvi contar as minhas primeiras experiências estéticas e de descobertas do mundo construídas nas ambiências leitoras produzidas por Maria, a madrinha.

A princípio, resolvi escrever crônicas. Por fim, produzi uma série de vídeos, com sete episódios, cada um em torno de quinze a vinte minutos, intitulada Histórias de Maria. Na verdade, essa passou a ser a minha atividade de produção acadêmica e artística: pesquisar sobre a díade marcada, principalmente, pela reciprocidade e o afeto. Assim, criei um cenário que pudesse remeter a um ambiente doméstico permeado pela leitura. Sentado em uma cadeira, ao lado de uma pequena mesa com livros, uma caneca e um lampião, eu conto e canto as histórias e canções que marcaram a relação entre o menino e sua fada madrinha. A série está disponibilizada no meu canal de Youtube. As canções que me chegavam eram de gêneros diversos. Foi uma experiência maravilhosa e acho que vai terminar em um livro.

No prelúdio da canção “Acho que chegou a hora”, o músico português Tiago Bettencourt diz que “não é boa ideia deixar assuntos pendentes a não ser que seja numa canção”. Alguma coisa pendente, na sua busca, neste momento? Ou alguma canção para o exprimir?
Nas canções, alguma coisa sempre parece ficar pendente. Mas não é mesmo boa ideia deixar assuntos pendentes. A minha mãe nos botava sentados ao seu lado para bordarmos enormes peças de cama e mesa. Eventualmente, ela alertava: “Preste atenção à costura. Se der um ponto errado desfaça-o imediatamente. Com a costura pronta não tem como desfazer-se um ponto errado”. Entretanto, por mais cuidado que se tenha com o bordado, alguma pendência parece ficar.

A pandemia produziu, entre outras coisas, frustrações. A minha grande frustração, que tomo como pendência, foi: o trabalho de investigação e formação que me propus a desenvolver, aqui em Portugal, não pode ser concluído. Apesar de ter apelado para outras formas, como o virtual, não consegui realizar os ateliês. Essa é uma pendência, uma grande frustração.

É claro que construí outras coisas. Mas a minha vinda foi com esse objetivo e esse ainda não foi cumprido. Portanto, como diz uma canção minha e da Roseana Murray, chamada Espera: “Aqui estou / De pé na sua porta / Na sua pele / Bato palmas / Toco os sinos / Num sortilégio estranho / Digo o teu nome tantas vezes / Que o mar adormece”. Espero, assim, voltar um dia e resolver essa pendência.

O que esperava encontrar na Academia portuguesa?
Esperava encontrar um ambiente rico em produções acadêmicas, muito formal e com grandes possibilidades para a ampliação dos meus estudos. Além disso, esperava encontrar as condições ideais para o trabalho acadêmico, uma vez que, no Brasil, temos muitas dificuldades de toda ordem (administrativa, econômica e política).

O que já encontrou?
Tudo o que eu esperava. Nesse sentido, a minha expectativa não foi frustrada. Ao contrário. Além de encontrar um ambiente com muita produção científica, com grandes possibilidades para a ampliação dos meus estudos, experienciei, aqui, coisas pouco comuns no mundo acadêmico. Primeiro, a solidariedade, a generosidade e a sensibilidade do Professor José Machado Pais, meu supervisor. O acolhimento do Professor Vitor Sérgio Ferreira, ao me convidar para participar dos seminários do Grupo LIFE, foi, também, uma marca da generosidade e sensibilidade que cercam o ICS.

Segundo, destaco a maneira generosa como o meu trabalho de pesquisa e formação, tanto em Lisboa como em Braga e em Guimarães, foi recebido. Em Braga, tive ainda o apoio incondicional do Professor Carlos Veiga, da direção da Escola André Soares e das professoras que se envolveram no projeto de pesquisa e formação. Em Guimarães, o apoio da Professora Luíza foi também generoso. Portanto, retornarei ao Brasil com a melhor impressão possível sobre a Academia Portuguesa e, especialmente, sobre as pessoas com quem tive contato direto.

Bio

É graduado em Pedagogia e doutor em Artes Cénicas. É professor adjunto da Universidade do Estado da Bahia e trabalha com temáticas voltadas para a (auto)biografia, arte, educação, formação de professores, leitura e família. Pesquisa sobre a potência da canção na produção de subjetividades e desenvolve, em diversos grupos e instituições, o Ateliê de Performances Biográficas pelas Canções Populares, proposta metodológica para a autoformação e construção de uma ética crítica e interpretativa, da vida como um valor. Atua como palestrante e consultor. É, também, cantor, compositor e contador de histórias.

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Capítulos e artigos em junho

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Nesta rubrica destacamos mensalmente publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULIsboa).

Este mês destacamos quatro publicações novas (dois capítulos e dois artigos).
O capítulo de Isabel Freire contribui para a reflexão sobre a história da sexologia (e da sexualidade) em Portugal, especificamente entre no período que abrange o final do Estado Novo, a Revolução de 25 de abril de 1974 e o início da democracia. Analisam-se discursos mediáticos sobre a sexualidade e o papel que os media desempenharam no agendamento das questões do bem-estar e da saúde sexual e reprodutiva, bem como a sua articulação com a luta pela emancipação feminina.

O ensaio de Manuel Villaverde Cabral trata de alguns projectos editoriais dos anos 40 e 50 do século XX que veicularam discursos textuais e visuais marcados por uma posição diversa e adversa à propaganda do Estado Novo, ao mesmo tempo que combinavam em graus distintos o texto com a fotografia.

O artigo de José Nuno Matos analisa as transformações estruturais no campo da imprensa e no exercício da profissão de jornalista. A reconfiguração das últimas décadas é marcada pelo desemprego e pela precarização das condições laborais. O texto analisa estas transformações a partir das trajectórias sócio-profissionais de ex-jornalistas, olhando para o que levou ao término das suas carreiras, à trajectória subsequente e ao modo como atualmente encaram o jornalismo.

O artigo de Vasco Ramos analisa algumas experiências de pobreza alimentar de crianças de famílias em situação de pobreza em Portugal, a partir de dados de um estudo europeu. Os discursos das crianças colocam em evidência de que forma a pobreza alimentar se incorpora nas suas vidas, afectando não só a qualidade e a quantidade de alimentos, como também reduzindo as oportunidades de socializar com família, colegas e amigos e criando stress emocional.

Boas leituras!


CAPÍTULOS DE LIVRO

Isabel Freire
A afirmação de uma visão terapêutica da sexualidade nos media portugueses após a Revolução dohs Cravos
In Quartilho, M. J. R. (Ed.), Psiquiatria Social e Cultural – Diálogos e Convergência, pp. 241-263
Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra
ISBN 978-989-26-1928-6.
DOI 10.14195/978-989-26-1928-6_9

Manuel Villaverde Cabral
Projectos editoriais e contradiscursos: livros ilustrados & fotolivros, 1940-1960
In Serra, F., André, P., Rodrigues, S. L. (Eds.), Projectos Editoriais e Propaganda Imagens e Contra-Imagens no Estado Novo, pp. 303-325
Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais
ISBN 978-972-671-575-7


ARTIGOS

José Nuno Matos
It Was Journalism that Abandoned Me”: An Analysis of Journalism in Portugal
tripleC: Communication, Capitalism & Critique, 18 (2), 535-555.
DOI 10.31269/triplec.v18i2.1148

Vasco Ramos
Children’s experiences of food poverty in Portugal: Findings from a mixed-method case study approach
Children and Society, First published 08 June 2020
https://doi.org/10.1111/chso.12401.


À espera de a vida real reiniciar…

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Madelon Schamarella, doutoranda em Sociologia no
Programa de Doutoramento Inter-Universitário OpenSoc

Este é o Mac, meu computador, parceiro de investigação e da vida digital. Numa tarde, na passada quarta-feira, Mac avariou… escreveu uma mensagem no ecrã dizendo: disco rígido cheio…

Num gesto claro de exaustão, desligou-se deixando apenas uma tentativa de reiniciar pela metade; o que mais me pareceu o símbolo da incompletude da vida moderna. Mas como pode um Mac avariar? Eu pensei que ele fosse forte. Como eu conseguirei recuperar meus ficheiros? Como dar continuidade à minha agenda profissional e aos meus compromissos académicos? Como solicitar os serviços de reparo neste período de encerramento parcial do comércio? Parece que muitas das minhas perguntas ficariam sem respostas durante esta pandemia.

Os ecrãs da minha casa. Foto: Madelon Schamarella

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Artigos em Maio

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Rubrica mensal com destaque para publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULisboa).

Nesta primeira entrada da rubrica Post Scriptum dedicada a artigos, destacamos cinco publicações novas. A diversidade dos temas reflete a diversidade do grupo de investigação.

Os artigos abordam assuntos tão variados como: a construção do outro-animal nos meios digitais (Verónica Policarpo); as motivações e limitações encontradas pelos prossumidores colectivos de energia (Lanka Horskink); os fatores preditos da satisfação dos pacientes em serviços de emergência (Pedro Alcântara da Silva); a fiabilidade das percepções de pacientes em relação aos tempos de espera em serviços de emergência (Pedro Alcântara da Silva); e os tempos e modos da sedução e da sexualidade em Portugal (José Machado Pais).

Boas leituras!


ARTIGOS

Verónica Policarpo
Daphne the Cat: Reimagining human–animal boundaries on Facebook
The Sociological Review, First Published April 30, 2020, DOI 10.1177/0038026120918167

Lanka Horstink, Julia M. Wittmayer, Kiat Ng, Guilherme Pontes Luz, Esther Marín-González, Swantje Gährs, Inês Campos, Lars Holstenkamp, Sem Oxenaar and Donal Brown
Collective Renewable Energy Prosumers and the Promises of the Energy Union: Taking Stock
Energies 13, 421. DOI 10.3390/en13020421

Alina Abidova, Pedro Alcântara da Silva, Sérgio Moreira 
Predictors of Patient Satisfaction and the Perceived Quality of Healthcare in an Emergency Department in Portugal
Western Journal of Emergency Medicine, Published online 27 Jan 2020, DOI 10.5811/westjem.2019.9.44667

Alina Abidova, Pedro Alcântara da Silva, Sergio Moreira
Accuracy of Patients’ Waiting Time Perceptions in the Emergency Department
Academic Emergency Medicine, Published online Feb 27, 2020. DOI: 10.1111/acem.13949.

José Machado Pais
Sexualidade e Sedução em Portugal: tempos e modos
Revista Outros Tempos, 17 (29), pp. 282-298 

Livros & capítulos em Maio

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Rubrica mensal com destaque para publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULisboa).

Boas leituras!


LIVROS

José Machado Pais
Jóvenes y Creatividad. Entre futuros sombríos  y tiempos de conquista
Barcelona: Ned Ediciones. ISBN: 978-84-16737-89-5]; eISBN: 978-84-16737-93-2.

Excerto do prólogo Hijo del fado: una conversación con José Machado Pais, de Carles Feixa:

Como Paulo Freire nos enseñó, la inexorabilidad del futuro es la negación de la historia. Por lo tanto, el futuro debe ser cuestionado en lugar de ser delimitado. En el presente libro, me propongo precisamente un cuestionamiento del futuro que nos permita imaginarlo. De esa forma, hacemos presente el futuro. ¿Y cómo podemos imaginar el futuro? En la lógica de los sistemas que se autoconstruyen, es decir, reflexivamente.

José Machado Pais


Bojan Bilić
Trauma, Violence, and Lesbian Agency in Croatia and Serbia: Building Better Times
Cham: Palgrave Macmillan. ISBN 978-3-030-22959-7

O livro de Bojan Bilić, Trauma, Violence, and Lesbian Agency in Croatia and Serbia: Building Better Times, trata os trauma da guerra, da homofobia e do capitalismo neoliberal como uma experiência verbal impenetrável que deseja ser narrada. A monografia explora as maneiras pelas quais a linguagem lésbica feminista emergiu repetidamente no contexto de um forte silenciamento patriarcal que cercou os conflitos armados de a sucessão jugoslava.


CAPÍTULO DE LIVRO

Destaque também para o capítulo de José Luís Garcia acerca dos biobancos, em que se discutem as complexas relações entre práticas científicas, desenvolvimentos tecnológicos e dinâmica mercantil em torno da vida e dos bens que corporizam.

José Luís Garcia
Os biobancos e a questão das práticas técnológicas e da dinâmica mercantil em torno da vida e dos bens que corporizam
In Silva, J. P. e Barros, H. (Eds.), Biobancos, investigação e Saúde Pública: promessas e desafios, pp. 59-67 . Porto: Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. ISBN 978-989-99644-4-0.

Transformações na paisagem textual urbana de Paris e Lisboa: a chegada do samba e jazz no período entre-Guerras (1917-1939)

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grazGraziela Mello Vianna foi investigadora visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e da Université Lyon 2. É professora associada da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil.

O período entre-Guerras é um período de profundas transformações estéticas em Paris, capital referência para outras cidades europeias, dentre elas, Lisboa. Transformações que passam pela nova paisagem sonora, com a receptividade e o interesse dos parisienses pela música popular advinda de outras culturas; pelas novas danças sociais (tais como o charleston, o samba, o lindy hop) relacionadas a estas músicas praticadas nos bailes e transformadas em espetáculo nos music halls; pela moda, que libera o corpo feminino para dançar livremente; pelas artes gráficas e na arquitetura que, sob a influência do art déco, “simplificam” as formas românticas art nouveau. Em que medida tais transformações nesses elementos das paisagens textuais urbanas de Paris e de Lisboa se relacionam com as novas músicas das Américas: o samba e o jazz? Quais são os rastros dessa paisagem textual do período entre-Guerras na paisagem contemporânea urbana atual nas duas cidades? Continuar a ler

LIFE Seminar | 26 de Novembro 2019

No próximo dia 26 de Novembro o ciclo de seminários do grupo de investigação LIFE vai contar com a presença de Graziela Mello Vianna, Investigadora Visitante no ICS-ULisboa, que irá apresentar o seu trabalho Samba e Jazz além-mar: a chegada das “novas músicas” das Américas no Velho Continente. A entrada é livre.

life 26 nov hor (1).jpg Continuar a ler