Emigração portuguesa recente para a Alemanha: uma integração a duas velocidades.

pcPedro Candeias é doutorando no Programa Doutoral em Migrações no ICS-ULisboa.


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A Alemanha tem sido, desde os anos 1960, um destino importante para a emigração portuguesa. Segundo os dados compilados pelo Observatório da Emigração, no ano de 2016, a Alemanha era o o sétimo país do mundo com maior número de portugueses a viver. Se forem pensadas nas entradas anuais, a Alemanha era, em 2015, o terceiro país do mundo para onde foram mais portugueses.

No entanto, os estudos sobre a Alemanha enquanto país de destino não abundam, numa recolha e análise de bibliografia sobre emigração portuguesa em que trabalhei (Candeias, Ferreira, & Peixoto, 2014; Candeias, Góis, Marques, & Peixoto, 2014), verificámos que, num total de 806 publicações científicas, apenas 27 (3%) incidiam sobre a Alemanha. Continuar a ler

Homens e decisões reprodutivas: o elemento invisível da equação

111Vanessa Cunha é investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa


Em 2016, a Fundação Francisco Manuel dos Santos desenvolveu uma série de iniciativas em torno da temática da natalidade, entre as quais um ciclo de debates ao longo do mês de maio, “mês da população”. Cada debate lançou um estimulante desafio aos oradores: pronunciarem-se sobre uma questão de fundo, tendo como mote uma interrogação. Calhou-me em sorte o quarto e último debate, Quem manda ter filhos? Homens e mulheres no momento da decisão. Calhou-me em sorte e tive sorte, pois acompanhei o interessante fluxo de pontos de vista que aí foram sendo apresentados e discutidos; e porque, apesar do estado avançado da discussão quando chegou a minha vez, ainda assim pude trazer elementos novos à reflexão.

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Com efeito, se houve uma nota dominante no ciclo de debates, esta foi a perspetiva do protagonismo das mulheres nas profundas mudanças que têm vindo a ocorrer na natalidade, culminando na ideia de que no momento de decidir, são elas que mandam. Porém, o meu ponto de vista era outro. E ainda é, pelo que importa trazer para aqui a reflexão então feita. Continuar a ler

A mutação demográfica em curso e o envelhecimento na sociedade brasileira: alguns indicadores

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Revalino António de Freitas – Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, e Investigador Visitante no ICS-ULisboa


Após décadas de pouca mobilidade, ao longo de quase todo o século XX, a estrutura etária da sociedade brasileira começou a ter uma forte mudança com consequências em todas as idades. Essa mutação, ainda inconclusa, permite apontar para uma nova reconfiguração, com a sociedade majoritariamente adulta e presença ascendente de pessoas idosas.

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Fonte: IBGE. Censos Demográficos. Adaptado pelo Autor.

No Brasil, os contornos que estabelecem a velhice são definidos social e juridicamente através de mudanças sociais em curso após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e que são sintetizados no Estatuto do Idoso. Trata-se de um estatuto jurídico-normativo que sanciona a outorga de direitos, no caso em decorrência de uma política internacional orientada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que define como pessoa idosa que tem 60 anos ou mais. A partir do recorte temporal, uma ampla legislação é estabelecida, definindo que os direitos das pessoas idosas são de responsabilidade, pela ordem, da família, da comunidade, da sociedade e, por fim, do poder público. Continuar a ler

Como pensam os Portugueses, hoje, a vida familiar?

Autores:

vascoVasco Ramos, Sociólogo e Investigador no ICS-ULisboa

vanessaVanessa Cunha, Socióloga e Investigadora no ICS-ULisboa

susanaSusana Atalaia, Socióloga e Investigadora no ICS-ULisboa


Quais as atitudes dos Portugueses perante a vida familiar? Como pensam, atualmente, a coabitação, o casamento e o divórcio? Como encaram o trabalho dentro e fora de casa considerando o género dos membros do casal? Que papel os pais reservam aos filhos na vida familiar? A análise de alguns indicadores do módulo Family and Changing Gender Roles integrado no inquérito ISSP – International Social Survey Programme[i] – aplicado em 2014, permite responder às questões colocadas e avaliar a mudança social ocorrida nesta esfera da vida dos portugueses. Continuar a ler