À espera de a vida real reiniciar…

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Madelon Schamarella, doutoranda em Sociologia no
Programa de Doutoramento Inter-Universitário OpenSoc

Este é o Mac, meu computador, parceiro de investigação e da vida digital. Numa tarde, na passada quarta-feira, Mac avariou… escreveu uma mensagem no ecrã dizendo: disco rígido cheio…

Num gesto claro de exaustão, desligou-se deixando apenas uma tentativa de reiniciar pela metade; o que mais me pareceu o símbolo da incompletude da vida moderna. Mas como pode um Mac avariar? Eu pensei que ele fosse forte. Como eu conseguirei recuperar meus ficheiros? Como dar continuidade à minha agenda profissional e aos meus compromissos académicos? Como solicitar os serviços de reparo neste período de encerramento parcial do comércio? Parece que muitas das minhas perguntas ficariam sem respostas durante esta pandemia.

Os ecrãs da minha casa. Foto: Madelon Schamarella

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Quarantine Thoughts on Italy

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The Decameron, 1837–1837. Franz Xaver Winterhalter. Oil on Canvas

Bojan Bilić, ICS-ULisboa

When I moved to Florence in September 2008, after being awarded a fellowship at the European University Institute, my life took a whole new course. As my train approached Santa Maria Novella, I caught a glimpse of the dome of Brunelleschi and a Stendhalian adrenaline rush fluttered though my chest inaugurating a period of immersion into many forms of beauty. Years of student hardship, the exhaustion provoked by endless political chaos, and the myriad dilemmas I had about my rigid patriarchal body, had already taken their toll making me long for pleasure.

Soon after my arrival, I started going for long walks from San Domenico’s Via dei roccettini to the Piazza San Marco, passing by the Medici villas full of cypress, lemon, and olive trees, and trying to convince myself that my new surrounding was indeed real. While I slowly synced with the imperceptible rhythm of Italian small city life, both in myself and in many of my colleagues, I noticed a remarkable transformation: tanned by the Tuscan sun, caressed by centuries of culture, and nourished by food prepared with love and attention, we received an injection of vitality that could hardly be matched by any of my subsequent experiences. Italy has given me far more than other places in which I have lived and the moment I step on its soil I am imbued with the feeling of being at home. Continuar a ler

Regressando à América do Sul – Emerson Pessoa, alumni de doutoramento (ICS-ULisboa)

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Emerson, onde estás agora e que planos tens para o presente?

Após o fim do doutoramento regressei para a Universidade Federal de Rondônia (UNIR-Vilhena) para retomar as atividades como professor de Sociologia no Departamento de Administração. Neste semestre estou a lecionar as disciplinas de Sociologia, Antropologia e Metodologia da Pesquisa Científica para as licenciaturas em Administração e Letras. Os planos a curto-médio prazo são prosseguir com as atividades como coordenador do grupo de pesquisa HIBISCUS (Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental), a orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso e de Dissertações de Mestrado, Projetos de Extensão e a publicação dos artigos da minha tese.

Na tua bagagem o que levaste de melhor da academia portuguesa?

Os 4 anos em que cursei o doutoramento no ICS foram cruciais para o desenvolvimento das minhas habilidades como pesquisador. O ICS, principalmente na pessoa do meu orientador Vitor Ferreira, foi fundamental para o aprendizado de novas metodologias, técnicas de pesquisa e de análises de dados que serão utilizados nesta nova fase da minha trajetória como pesquisador e professor. Além disso, o doutoramento propiciou o contato com inúmeros pesquisadores de diversas regiões do mundo e consequentemente, a compreensão das diferenças, desigualdades e dificuldades dos campos acadêmicos. Por outro lado, as experiências na universidade portuguesa possibilitaram percepções críticas sobre a produção do conhecimento científico em Portugal e no Brasil e que serão valiosos para este novo momento da minha vida profissional.

No futuro, o ICS poderá vir a…

Ser a minha instituição de acolhimento para um futuro pós-doutoramento e/ou um parceiro no desenvolvimento das minhas próximas pesquisas. O ICS será lembrado como uma casa onde vivi um importante momento da minha trajetória acadêmica. Mais do que isso, um local onde constituí laços profissionais e de amizade. Agradeço à comunidade ICS pelo suporte recebido durante toda a minha estadia na cidade de Lisboa e no Instituto.

 

BIO

Emerson Pessoa doutorou-se em Sociologia (Programa Interuniversitário de Doutoramento OpenSoc), em 2020. Graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e fez mestrado nesta mesma área e instituição. As suas pesquisas permeiam as discussões sobre corpos, gêneros, sexualidades, biotecnologias e processos de subjetivação.

 

 

Procriação e Parentalidade em contexto de baixa fecundidade, mudança familiar e crise económica

111Vanessa Cunha é socióloga e investigadora no ICS-ULisboa.


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O projeto PARENT: Procriação e Parentalidade em contexto de baixa fecundidade, mudança familiar e crise económica pretende apreender o impacto da crise económica e dos novos valores da parentalidade nas perspetivas e nas práticas procriativas em Portugal[1]. Tem como ponto de partida a severa queda da fecundidade durante a recente recessão, que acentuou o persistente declínio da fecundidade das últimas décadas, e as suas consequências para pais, famílias e sociedade portuguesa no seu conjunto. Continuar a ler

Uma experiência de pesquisa sobre práticas de agricultura urbana em Lisboa

lauraLaura Martins de Carvalho é doutoranda no Programa Doutoral em Saúde Global e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e doutoranda-visitante no ICS-ULisboa (Bolsa CAPES n: 88881.189504/2018-01).


Este post narra minha experiência de pesquisa sobre agricultura urbana (AU) na cidade de Lisboa. Cheguei à capital portuguesa em agosto de 2018 com a preocupação de entender as práticas de agricultura urbana nos bairros sociais da cidade. Isto porque eu já havia realizado pesquisa de campo em uma região socialmente vulnerável de São Paulo, a Zona Leste, e procurava em Lisboa o equivalente socioeconômico à região de investigação da capital paulistana.

Uma vez instalada em Lisboa, tinha a expectativa de ver os parques hortícolas “em pleno funcionamento e com alta produtividade”, mas não sabia que durante os meses de agosto e setembro os residentes lisboetas costumam estar de férias fora de Lisboa. Inicialmente visitei alguns parques hortícolas para me familiarizar com o cenário da AU na cidade (Telheiras, Jardim da Amnistia Internacional, Quinta da Granja e Quinta das Flores) e, como dito anteriormente, àquela altura havia poucos agricultores urbanos a trabalhar na terra. Para que as plantas não morressem no calor, os donos dos talhões pediam a amigos e vizinhos que as aguassem durante o período de férias. Devido às temperaturas elevadas, os agricultores procuravam ir aos talhões depois das 18h00, quando o calor já não era tão forte. Continuar a ler

Como pensam os Portugueses, hoje, a vida familiar?

Autores:

vascoVasco Ramos, Sociólogo e Investigador no ICS-ULisboa

vanessaVanessa Cunha, Socióloga e Investigadora no ICS-ULisboa

susanaSusana Atalaia, Socióloga e Investigadora no ICS-ULisboa


Quais as atitudes dos Portugueses perante a vida familiar? Como pensam, atualmente, a coabitação, o casamento e o divórcio? Como encaram o trabalho dentro e fora de casa considerando o género dos membros do casal? Que papel os pais reservam aos filhos na vida familiar? A análise de alguns indicadores do módulo Family and Changing Gender Roles integrado no inquérito ISSP – International Social Survey Programme[i] – aplicado em 2014, permite responder às questões colocadas e avaliar a mudança social ocorrida nesta esfera da vida dos portugueses. Continuar a ler