Cartoons, Saúde e Conjuntura: disputas e sentidos na imprensa escrita brasileira

1Nilson Moraes é investigador visitante no ICS-ULisboa, e professor na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.


writing-hand-fig-brand-art-sketch-490822-pxhere.com.jpgA pobreza, a desigualdade e as doenças são constituintes da História brasileira. Tais condições são reportadas ao longo de cinco séculos por artistas, estudiosos, analistas sociais, militantes sociais e políticos. O quotidiano da sociedade brasileira é feito e expresso em carências, ausências e desacertos, este é um dos motivos da presença das doenças, da saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) nos jornais. Continuar a ler

LIFE Seminar | 26 de Novembro 2019

No próximo dia 26 de Novembro o ciclo de seminários do grupo de investigação LIFE vai contar com a presença de Graziela Mello Vianna, Investigadora Visitante no ICS-ULisboa, que irá apresentar o seu trabalho Samba e Jazz além-mar: a chegada das “novas músicas” das Américas no Velho Continente. A entrada é livre.

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LIFE Seminars | 12 de Novembro 2019

No próximo dia 12 de Novembro vamos contar com a presença de Nilson Moraes no seminário do grupo de investigação LIFE, Investigador Visitante no ICS-ULisboa que irá apresentar o seu trabalho Charges, saúde e conjuntura: como se fosse possível analisar os 100 primeiros dias de Bolsonaro. Continuar a ler

O jornalismo sob o olhar de ex-jornalistas

jnmJosé Nuno Matos é investigador em Pós-Doutoramento no ICS-ULisboa


Eu antigamente escrevia para [título de publicação], agora escrevo para os órgãos nacionais todos”. Ao contrário do que possa parecer, esta frase não foi proferida por uma jornalista. Ela surgiu numa entrevista a Rosa [nome fictício], 37 anos à altura, a trabalhar atualmente no departamento de relações públicas de uma empresa de telecomunicações. A frase supracitada remetia, precisamente, para uma comparação entre o emprego anterior, enquanto jornalista, e a sua nova condição sociolaboral.

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O depoimento foi recolhido no âmbito de uma investigação em torno da relação entre precariedade laboral e jornalismo. O seu principal fim é compreender o lugar ocupado pelo precariedade nos percursos sociais dos jornalistas, em particular as suas consequências sobre a prática profissional. Por mais que paradoxal que possa parecer, o estudo da condição social de ex-jornalistas poderá contribuir para o cumprimento deste objetivo. O estudo do jornalismo com base nas experiências quem já não o exerce permite: a) compreender os motivos que conduziram ao fim da atividade; b) conhecer as novas áreas de emprego (ou desemprego) e o seu nível de proximidade com o jornalismo; c) o acesso a uma reflexividade suscitada pela distância temporal e espacial em relação ao objeto em causa. Continuar a ler

Entre redes: o que os jovens falam sobre as redes sociais digitais?

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Rafael G. Barreiro é professor na Universidade de Brasília (UnB), doutorando no Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e foi doutorando visitante no ICS/ULisboa.


 

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                                                  “Nobody likes me”, Graffiti in Stanley Park, Vancouver – Canadá

Atualmente, enfrentamos uma revolução comunicativa implementada por tecnologias digitais que estão ocasionando importantes transformações na forma como grupos sociais se relacionam. Dessa forma a popularização da internet, especificamente com o advento da Web 2.0, permite a interação entre pessoas via “redes sociais digitais”, compartilhando informações, formando grupos e tornando o ambiente virtual uma arena de acesso de diversos conteúdos e opiniões.

Massimo Di Felice, em sua obra “Do Público para as Redes” (2008), aponta que as mídias digitais transformam radicalmente as experiências sociais nos últimos tempos com a difusão da conexão e do acesso à internet de alta velocidade e móvel, oferecendo novos recursos para a construção de identidades nesses espaços comunicativos através das redes sociais online. Continuar a ler

As promessas e as aporias do digital: uma obra coletiva para pensar a digitalização da cultura e da arte

José Marmeleira é crítico e jornalista. Prepara uma tese de doutoramento sobre a arte e a cultura em Hannah Arendt no Programa Doutoral em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade da Universidade de Lisboa


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Capa do livro Cultura e Digital em Portugal

Organizado por três sociólogos, Teresa Duarte Martinho (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), João Teixeira Lopes (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e José Luís Garcia (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), Cultura e Digital em Portugal oferece um panorama plural e alargado do trabalho académico que tem vindo a ser realizado em torno do tema da digitalização na arte e na cultura. Ensaios, estudos de caso, análises de iniciativas e pesquisas empíricas e, acima de tudo, pontos de vista diversos e sensibilidades distintas compõem esta obra coletiva que, em certa medida, é uma continuação do colóquio realizado, há dois anos, no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa. Trata-se de uma publicação com a chancela das Edições Afrontamento, integrando a coleção Biblioteca das Ciências Sociais.

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‘Assuntar’ ciência em blogues

isabel Isabel Freire é doutorada em Sociologia no ICS-ULisboa, jornalista e editora de conteúdos online.


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Normal people are nothing exceptional é o título de um filme que vi há muitos anos na antiga sala de cinema King, em Lisboa. Foi realizado por Laurence Ferreira Barbosa, em 1993. Não tem nada a ver com a ideia de divulgar ciência em blogues ou em outras plataformas online, mais ou menos em rede, menos ou mais sociais.

Lembrei-me da obra de Laurence Ferreira Barbosa pela ideia da excecionalidade. Ciência e cientistas têm tanto de “excecional” como de “comum”. Acredito que sim. Exatamente por isso, vale a pena ‘desmarciar’ os gestos ‘disso’ que é fazer ciência, simplificar as palavras que a divulgam e – last but not least – revelar um pouco da pessoa atrás do cientista. Muito embora não haja uma fórmula para agendar ciência em blogues, o caminho – parece-me – pode ser por aí.
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‘Alguém pode me ajudar?’

marcia.pngMarcia Lisboa – pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e investigadora visitante do ICS-ULisboa.


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A pergunta do título a este post aparece em vários textos postados no espaço de comentários a uma reportagem publicada pelo website Fiojovem, em novembro de 2009, cujo tema central são os cuidados com o pênis. Ao longo de sete anos, a página dessa reportagem ultrapassa os 400 comentários e ainda continua a recebê-los. O conteúdo dessas intervenções provoca reflexões sobre as variadas formas de apropriação desse canal de comunicação sobre saúde e ciência – vinculado a uma instituição pública brasileira – que se propõe a dialogar com adolescentes e jovens. Continuar a ler

Ainda há pouco tempo, no Face, a gente falou…

ver.pngVerónica Policarpo, Socióloga e Investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa


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1870, Harrison Weird, The Dogs’ Dinner Party[i] 

Foi com estas palavras que Rute, 42 anos, casada e com dois filhos, iniciou a nossa conversa sobre a sua rede de amigos, e o lugar que estes ocupam atualmente, na sua vida. Nascida e criada num bairro da periferia de Lisboa, foi a brincar na rua, com vizinhos e colegas de escola, que construiu as suas amizades mais perenes. Mas à medida que o tempo foi passando, acompanhado das suas diferentes fases de vida, a distância foi-se instalando. Até que um dia, alguém falou a Rute de uma ferramenta onde se poderia encontrar “muita gente”.

A história de Rute ilustra como os media sociais se instalaram nas nossas vidas de forma mais ou menos paulatina, ao ponto de parecer praticamente impossível vivermos um dia inteiro completamente desconectados. Facebook, Whatsapp, Instagram, Twitter, Snapshot… Continuar a ler

LIFE: a vida deste blogue

«A Sociologia Pública traz a sociologia para uma conversação com públicos (…). O projeto dessas sociologias públicas é tornar visível o que é invisível».

Michael Burawoy (2006)

Esta posição de Michael Burawoy, tomada no seu texto Por Uma Sociologia Pública[1] (2006: 14-15), pode facilmente extravasar os limites disciplinares da sociologia e subsidiar as ciências sociais em geral. E é a partir dela que damos o mote à vida deste blogue.

O objetivo fundamental deste blogue é, justamente, tornar visível e divulgar, na esfera pública, a vida académica do grupo de investigação LIFE – Percursos de Vida, Desigualdades e Solidariedades: Práticas e Políticas, um grupo de investigação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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O LIFE faz investigação fundamental e aplicada sobre velhas e novas formas de produção de desigualdades e solidariedades sociais, procurando compreender o seu impacto nos percursos de vida dos indivíduos, na sua vida quotidiana e nos seus estilos de vida, a uma escala nacional, europeia e transnacional.

Partilhamos uma perspetiva de diálogo e pluralidade disciplinar, teórica e metodológica, combinando perspetivas sociológicas, históricas, demográficas, antropológicas, económicas e psicológicas, de filiações teóricas diversas, e recurso a métodos quer quantitativos, quer qualitativos.

A nossa investigação desenvolve-se em torno de cinco áreas principais, que se intercruzam entre si e se diversificam em muitos objetos de estudo:

  1. Transformações do percurso de vida;
  2. Famílias, jovens e crianças;
  3. Envelhecimento, saúde e bem-estar;
  4. Género, corpo e sexualidade;
  5. Culturas, media e estilos de vida.

Considerando a vida académica deste grupo de investigação, o blogue LIFE pretende disseminar resultados dos seus projetos de investigação, eventos e debates científicos, reflexões de natureza ética, teórica e metodológica, suas articulações com a esfera pública e a esfera das políticas públicas, e muitas outras atividades desenvolvidas no âmbito deste grupo de investigação.

Enquanto impulsor de uma ciência social pública, este blogue pretende ainda promover o debate e o impacte da produção científica do grupo de investigação LIFE junto dos seus diversos públicos, sejam pares (cientistas sociais ou de outras áreas científicas), sejam interlocutores que encontra em diversas esferas sociais, com interesses diversificados nas áreas temáticas que pesquisamos.

Assim, este bloque também estará aberto à publicação de pequenos textos escritos por quem nos lê e nos segue, e que pretenda dar o seu ponto de vista sobre o que escrevemos e fazemos, discutindo a sua relevância social, os seus impactes em diferentes esferas da vida, e facultando diferentes pontos de vista e interpretações sobre a nossas práticas de investigação e respetivos resultados.

Ao acompanharem este blogue, terão pois oportunidade de acompanhar mais de perto as nossas discussões e os resultados das nossas pesquisas, bem como de debatê-los e com eles dialogar, tendo sempre em mente a aproximação entre o mundo académico e a sociedade. Siga-nos também no facebook.

A equipa editorial do Blog LIFE

Vitor Sérgio Ferreira (coord.), Pedro Alcântara da Silva, Vasco Ramos, Verónica Policarpo, Tatiana Ferreira.


[1] Michael Burawoy é professor do Departamento de Sociologia da Universidade da Califórnia em Berkeley e foi presidente da Associação Americana de Sociologia. O texto a que nos referimos pode ser encontrado aqui.