Carolina Silva e a educação e formação para jovens em museus de arte contemporânea

Carolina Silva é investigadora no ICS ULisboa com uma Bolsa Marie Curie – Career restart (2020-2023), com o projecto “Educational provision and professional training for youth in contemporary art museums”, com supervisão de Vítor Sérgio Ferreira.

Quando é que o teu interesse em trabalhar/investigar o domínio da educação artística se tornou uma coisa ‘séria’?
É um interesse movido por uma grande curiosidade e inquietude, e como tal é acima de tudo uma coisa ‘viva’. Embora tenha formação em belas artes, como artista, desde cedo percebi que me interessava tanto ou mais pelas relações que as pessoas criam com a arte, e entre si através da arte, do que pela arte enquanto prática individual. A educação artística em Portugal é uma área pouco densa, tanto no domínio profissional como da investigação, o que não ajudou a ancorar a minha vontade em explorar este território. Diria por isso que foram vários encontros e momentos ao longo do meu percurso que contribuíram e contribuem para ver o meu trabalho em educação artística também como uma coisa ‘séria’.

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Sílvio Carvalho e a performance biográfica pela canção com docentes do ensino básico

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Sílvio Roberto Silva Carvalho, graduado em Pedagogia e doutor em Artes Cénicas, é professor adjunto da Universidade Federal da Bahia.

Ateliês de performances biográficas pelas canções populares: impactos de uma experiência (autoformativa) é a pesquisa de pós doutoramento que desenvolve como investigador-visitante no ICS-ULisboa, com a supervisão de José Machado Pais.

Que estudo tem em mãos?
Um estudo sobre a potência da canção popular na produção de processos de subjetividade, desenvolvida no meu doutoramento (Construções Biográficas pelas Canções Populares), e que será publicada, ainda este ano, pela Cátedra de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Há um ano retomei a pesquisa sobre a temática, com foco na formação continuada de professores da Escola Básica. A estratégia é a realização de ateliês de performances biográficas pelas canções, com professores da Escola Básica, nas cidades de Braga e Guimarães.

Infelizmente, a pandemia interrompeu o andamento do projeto. Os sujeitos da pesquisa, com o ensino remoto, não tiveram condições físicas e psicológicas para continuarem, mesmo virtualmente. Portanto, estou a repensar o projeto.

Como o situa no seu percurso biográfico/académico?
Nunca pensei ser professor. Sempre quis ser artista. Desde os 12 anos toco violão, gosto de cantar e contar. Acontece que sou de uma família pobre, nascido em uma cidade pequena do interior da Bahia, onde livros eram coisa rara. Mas os sonhos de estudar, ser artista e morar na cidade grande eram maiores que as limitações. Ao chegar em Salvador, com 18 anos, tive que trabalhar para me sustentar e ajudar meus pais nas despesas com a família que, àquela altura, era formada por mais seis filhos além de mim, o mais velho. A vida foi difícil, mas com muitas possibilidades.

Ao fazer o vestibular para ingressar na Universidade não tive dúvida: matriculei-me no curso de música. Fui aprovado, mas não pude cursá-lo, o curso era diurno e eu trabalhava o dia inteiro. Como só tinha horário livre à noite, procurei um curso noturno. O único que me agradou foi pedagogia. Na universidade descobri que havia muitas possibilidades para incluir as minhas artes nos processos pedagógicos.

Todo o meu percurso de pesquisa (especialização, mestrado e doutorado), de uma certa maneira, foi voltado para questões relacionadas à leitura de mundo, de si e do outro, sempre utilizando-me da canção. E por trabalhar com essas questões de leitura, senti-me estimulado e, de certa maneira, na obrigação de pensar uma metodologia de trabalho que possibilitasse a ressignificação das questões subjetivas dos sujeitos participantes, que gerasse uma abertura na relação desses com os saberes formais e não formais e, consequentemente, que pudesse ser um campo concreto de pesquisa.

Amparado nas abordagens (auto)biográficas, passo a desenvolver os ateliês de performances biográficas pelas canções populares, uma proposta teórico-metodológica de autoformação, que, através das histórias de vida, busca colocar em cena o “eu” e o “outro” e tem como ponto de partida as canções que marcaram as vidas dos sujeitos. É com esse trabalho que me coloco na condição de pesquisador e educador, inclusive como investigador-visitante do ICS. Mas gosto muito de me afirmar como professor-artista. Ou vice-versa, a depender da situação.

O violão, as canções e as narrativas sempre estiveram presentes na minha vida de estudante de pedagogia, de professor universitário, de palestrante etc. Não sei fazer nada sem envolver essa tríade, sem trazer a minha arte intuitiva.

O recolhimento e o isolamento social gerados pela atual situação pandémica inspiraram muitas canções e performances em novas janelas. Inspirador para o seu objecto e/ou método de estudo?
Certamente. O recolhimento e o isolamento social foram fundamentais para repensar o meu objecto e o próprio método de estudo. Por exemplo, vi a possibilidade de construir um formato online para desenvolver os ateliês. Embora já tivesse feito muita coisa nas linguagens das novas tecnologias, ainda não tinha pensado, concretamente, na possibilidade de realizá-los virtualmente.

Neste período, também, observei a música como a grande companheira de muitas pessoas, inclusive daquelas que não tinham ou perderem o hábito de ouvir música de forma contemplativa. Eu mesmo me vi apreciar, de forma muito diferente, canções que considerava razoáveis. Durante o isolamento social, essas canções ganharam, de mim, novos significados.

O recolhimento e o isolamento social inspiraram-me, também, a produzir novas canções e performances em novas janelas. Pelo menos uma nova canção ficará pronta até o meu retorno ao Brasil. Novas performances foram produzidas por mim durante o respectivo período, em forma de série de vídeos: Histórias de Maria. É um trabalho autobiográfico, centrado nas ambiências afetivas produzidas pela personagem principal: Maria.

Onde viveu a maior parte da sua vida e o que gostaria de destacar desse lugar?
A maior parte da minha vida vivi em Salvador/Brasil. Saí da minha terra natal, Inhambupe (interior da Bahia), com 18 anos, a fim de estudar e trabalhar na capital.

Inhambupe era uma pequena cidade do nordeste brasileiro, marcada por uma praça, uma igreja católica no centro, algumas ruas, duas escolas primárias e um colégio secundário, uma população urbana com aproximadamente 4 mil habitantes, uma feira animada por cantadores de cordel, um cinema improvisado e um alto-falante que funcionava das 18 às 22 horas, com energia elétrica à base de um gerador que só funcionava, também, nesse mesmo período de horas.

Livros, por lá, eram coisa rara. Mas, até à adolescência, as narrativas e as canções lançaram mundos na minha imaginação e ajudaram-me a transpor os limites impostos pelas condições econômicas em que vivíamos. Em outras palavras, foram o ponto de partida para que algo se movesse em mim, fizeram-me romper tratados, trair ritos, ajudaram-me a ampliar o tempo, a transcender o presente e a inventar mares e cais. Ou seja, impediram-me de ficar fora do mundo.

Por fim, as narrativas e as canções de alto-falante (conceito que uso na minha tese) foram os meus livros, fizeram-me leitor. Essas experiências, construídas em Inhambupe, foram imperativas na minha formação, no meu gosto pela palavra, pela música, pela arte.

Em Salvador, o encantamento com o mundo urbano. Os cinemas, os teatros, a universidade, o estádio de futebol, os bares, o mar… Apaixonei-me pela cidade. Hoje, é nela e dela que vivo. De Inhambupe trago os princípios, os valores, as crenças, os saberes não formais. De Salvador, a formação acadêmica, a descoberta de novas belezas, a sobrevivência.

Que músicas e que histórias biográficas vêm despertando da sua vivência em Portugal?
Nesses tempos de isolamento, até mesmo pelo fato de não ter podido desenvolver os ateliês junto aos professores das escolas selecionadas para a pesquisa, muitas foram as canções que me visitaram, inclusive os fados antigos que ouvia quando era criança. Contudo, a emoção mais forte aconteceu no dia primeiro de maio.

Às 20 horas, inesperadamente, ouvi os sinos da igreja, que fica ao lado da minha casa em Braga, tocarem “Treze de Maio”, canção religiosa que conta a aparição da Virgem Maria aos pastorinhos de Fátima. Logo nas primeiras notas, indentifiquei os primeiros versos: “A treze de maio / na Cova da Iria / No céu aparece / A Virgem Maria”. A minha infância veio toda e fiquei muito emocionado. Primeiro, as imagens das meninas da minha terra natal vestidas de anjos, a levar flores para Nossa Senhora durante todo o mês de maio. Depois, as imagens da minha madrinha a contar-me a história dos três pastorinhos, da Cova da Iria, da cidade de Fátima, da aparição da Virgem, e eu ali, junto a ela, com medo de que a Santa aparecesse para mim.

A partir desse dia, uma nova canção vinha-me à lembrança e remetia-me ao período da minha infância, em Inhambupe. A emoção era muito forte e fazia lembrar-me da minha madrinha a contar-me uma história ou a ouvir o repertório musical que tocava no rádio da sua casa. Foram tantas as lembranças que resolvi contar as minhas primeiras experiências estéticas e de descobertas do mundo construídas nas ambiências leitoras produzidas por Maria, a madrinha.

A princípio, resolvi escrever crônicas. Por fim, produzi uma série de vídeos, com sete episódios, cada um em torno de quinze a vinte minutos, intitulada Histórias de Maria. Na verdade, essa passou a ser a minha atividade de produção acadêmica e artística: pesquisar sobre a díade marcada, principalmente, pela reciprocidade e o afeto. Assim, criei um cenário que pudesse remeter a um ambiente doméstico permeado pela leitura. Sentado em uma cadeira, ao lado de uma pequena mesa com livros, uma caneca e um lampião, eu conto e canto as histórias e canções que marcaram a relação entre o menino e sua fada madrinha. A série está disponibilizada no meu canal de Youtube. As canções que me chegavam eram de gêneros diversos. Foi uma experiência maravilhosa e acho que vai terminar em um livro.

No prelúdio da canção “Acho que chegou a hora”, o músico português Tiago Bettencourt diz que “não é boa ideia deixar assuntos pendentes a não ser que seja numa canção”. Alguma coisa pendente, na sua busca, neste momento? Ou alguma canção para o exprimir?
Nas canções, alguma coisa sempre parece ficar pendente. Mas não é mesmo boa ideia deixar assuntos pendentes. A minha mãe nos botava sentados ao seu lado para bordarmos enormes peças de cama e mesa. Eventualmente, ela alertava: “Preste atenção à costura. Se der um ponto errado desfaça-o imediatamente. Com a costura pronta não tem como desfazer-se um ponto errado”. Entretanto, por mais cuidado que se tenha com o bordado, alguma pendência parece ficar.

A pandemia produziu, entre outras coisas, frustrações. A minha grande frustração, que tomo como pendência, foi: o trabalho de investigação e formação que me propus a desenvolver, aqui em Portugal, não pode ser concluído. Apesar de ter apelado para outras formas, como o virtual, não consegui realizar os ateliês. Essa é uma pendência, uma grande frustração.

É claro que construí outras coisas. Mas a minha vinda foi com esse objetivo e esse ainda não foi cumprido. Portanto, como diz uma canção minha e da Roseana Murray, chamada Espera: “Aqui estou / De pé na sua porta / Na sua pele / Bato palmas / Toco os sinos / Num sortilégio estranho / Digo o teu nome tantas vezes / Que o mar adormece”. Espero, assim, voltar um dia e resolver essa pendência.

O que esperava encontrar na Academia portuguesa?
Esperava encontrar um ambiente rico em produções acadêmicas, muito formal e com grandes possibilidades para a ampliação dos meus estudos. Além disso, esperava encontrar as condições ideais para o trabalho acadêmico, uma vez que, no Brasil, temos muitas dificuldades de toda ordem (administrativa, econômica e política).

O que já encontrou?
Tudo o que eu esperava. Nesse sentido, a minha expectativa não foi frustrada. Ao contrário. Além de encontrar um ambiente com muita produção científica, com grandes possibilidades para a ampliação dos meus estudos, experienciei, aqui, coisas pouco comuns no mundo acadêmico. Primeiro, a solidariedade, a generosidade e a sensibilidade do Professor José Machado Pais, meu supervisor. O acolhimento do Professor Vitor Sérgio Ferreira, ao me convidar para participar dos seminários do Grupo LIFE, foi, também, uma marca da generosidade e sensibilidade que cercam o ICS.

Segundo, destaco a maneira generosa como o meu trabalho de pesquisa e formação, tanto em Lisboa como em Braga e em Guimarães, foi recebido. Em Braga, tive ainda o apoio incondicional do Professor Carlos Veiga, da direção da Escola André Soares e das professoras que se envolveram no projeto de pesquisa e formação. Em Guimarães, o apoio da Professora Luíza foi também generoso. Portanto, retornarei ao Brasil com a melhor impressão possível sobre a Academia Portuguesa e, especialmente, sobre as pessoas com quem tive contato direto.

Bio

É graduado em Pedagogia e doutor em Artes Cénicas. É professor adjunto da Universidade do Estado da Bahia e trabalha com temáticas voltadas para a (auto)biografia, arte, educação, formação de professores, leitura e família. Pesquisa sobre a potência da canção na produção de subjetividades e desenvolve, em diversos grupos e instituições, o Ateliê de Performances Biográficas pelas Canções Populares, proposta metodológica para a autoformação e construção de uma ética crítica e interpretativa, da vida como um valor. Atua como palestrante e consultor. É, também, cantor, compositor e contador de histórias.

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Sinead Marian D’Silva shedling some light on youth negotiation of tourism in Goa and Lisbon

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Sinead Marian D’Silva is a research fellow at ICS-ULisboa. We are pleased to introduce you to her study – Youth negotiation of tourism-based employment in Goa and Lisbon – funded by the European Union’s Horizon 2020 research and innovation programme, through a ‘Widening Fellowship’, accepted for funding via the Marie Skłodowska-Curie Actions – Individual Fellowship scheme. The project has the scientific supervision of Dr. Vitor Sérgio Ferreira.

Sinead, tell us about your research project…
My research is on young people working in tourism in Goa and Lisbon, while being ‘local’ to either respective place. In both locations, reactions by ‘locals’ to tourism are represented as either highly contested or completely endorsed as both economies are geared towards the industry. As I begin my research, I hope to understand why young people decide to work in tourism and how they negotiate their participation in it. This includes who they are in society, how they perceive their futures and their relationship with place.

What excites you most about this research plan?
I suppose this is two-fold. In terms of academic interests, the focus on youth futures is a continuation of my previous work. The consideration of it within a contentious industry allows me to take further an interest I have as a researcher, in the empirical sense, as I must confront perspectives that may be different from mine or are not popularly presented. I must then treat them in the way that those narrating them intended while simultaneously maintaining a critical perspective. There is also a personal aspect to it which I will speak later…

Did the global pandemic situation influenced your initial research design? How?
The current pandemic has definitely had an impact on the initial plan for my research. It has sent my fieldwork for a toss – I had just started in March – and made me re-construct it to be back-to-front. My fieldwork has been delayed further by a need to re-apply for ethical clearance – understandably so.

At the moment how are you trying to solve difficulties?
I would not call these difficulties, but rather inconveniences, mostly bureaucratic ones. I suppose such times call for a mobilizing of ‘Plan B’. As social researchers, we are usually prepared to eat some humble pie and realize that circumstances change and our ‘dream project’ may not play out as planned. In practical terms this has meant that rather than starting off with observations and encountering participants ‘organically’, I need to have a virtual approach to contacting people, using the networks I have and my own knowledge. In addition to virtual interviews which will be flexible, I have included a diary method for participants to go their thoughts and experiences in multiple ways, including sharing social media posts they might feel demonstrate this, doing videos, voice messages, and so on. The uptake is yet to be known as I await amended ethical clearance, but if anyone would like to help, here is a link to share.

How does this research fits into your biographical/academic background?
As said previously, this fits with my academic interests in work, youth futures and place-making. I cannot stress how important it is to have some sense of financial stability – even if temporary – when doing research. I feel a sense of confidence and freedom to pursue my work. I hope to demonstrate part of my capacity through this project. On a personal level, following my PhD I feel determined and confident to return to (research about) my home context of Goa. I have also wanted to know more about Portuguese culture and society for a while now, which can perhaps bring me a step closer to understanding my own social and cultural history. It gives me a good opportunity to be critical and appreciative.

Where have you spend most of your life and what would you like to highlight from that place?
I lived in Goa for the most part of my life – in proportion anyway. Following my schooling I lived in Bombay for 7 years and then Leeds in the North of England for 6 years before coming to Lisbon. I am not sure what to say and about which context, but perhaps my research will shed some light on the situation in Goa!

Bio
Social scientist/researcher whose disciplinary background is an intersection of Sociology and Geography. Formal academic focus on work, youth futures and a senses of place. Engaged with research and community-based action for social justice and equality, such as being a member of the steering group for the Inequalities Research Network at the University of Leeds.

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Twitter: @CianydeArgentum – https://twitter.com/CianydeArgentum

O trabalho sexual feminino, por Roseli Bregantin Barbosa

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roseli

Damos as boas-vindas a Roseli Bregantin Barbosa, doutoranda visitante no ICS-Lisboa e integrada no GI LIFE, sob a supervisão de Vitor Sérgio Ferreira.  Desenvolve a sua pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Sociologia, na área de Políticas Públicas e Mudanças Sociais, da Universidade Federal do Paraná (Brasil), orientada por Maria Tarcisa Silva Bega e Miriam Adelman.

Em que consiste o teu projeto de investigação?
Meu projeto consiste em analisar a relação entre a feminização do mercado de trabalho e as demandas por mudanças no estatuto do trabalho sexual feminino, mais especificamente busca perceber como o Estado se posiciona frente tais demandas, na esfera das políticas públicas. Continuar a ler

Regressando à América do Sul – Emerson Pessoa, alumni de doutoramento (ICS-ULisboa)

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Emerson, onde estás agora e que planos tens para o presente?

Após o fim do doutoramento regressei para a Universidade Federal de Rondônia (UNIR-Vilhena) para retomar as atividades como professor de Sociologia no Departamento de Administração. Neste semestre estou a lecionar as disciplinas de Sociologia, Antropologia e Metodologia da Pesquisa Científica para as licenciaturas em Administração e Letras. Os planos a curto-médio prazo são prosseguir com as atividades como coordenador do grupo de pesquisa HIBISCUS (Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental), a orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso e de Dissertações de Mestrado, Projetos de Extensão e a publicação dos artigos da minha tese.

Na tua bagagem o que levaste de melhor da academia portuguesa?

Os 4 anos em que cursei o doutoramento no ICS foram cruciais para o desenvolvimento das minhas habilidades como pesquisador. O ICS, principalmente na pessoa do meu orientador Vitor Ferreira, foi fundamental para o aprendizado de novas metodologias, técnicas de pesquisa e de análises de dados que serão utilizados nesta nova fase da minha trajetória como pesquisador e professor. Além disso, o doutoramento propiciou o contato com inúmeros pesquisadores de diversas regiões do mundo e consequentemente, a compreensão das diferenças, desigualdades e dificuldades dos campos acadêmicos. Por outro lado, as experiências na universidade portuguesa possibilitaram percepções críticas sobre a produção do conhecimento científico em Portugal e no Brasil e que serão valiosos para este novo momento da minha vida profissional.

No futuro, o ICS poderá vir a…

Ser a minha instituição de acolhimento para um futuro pós-doutoramento e/ou um parceiro no desenvolvimento das minhas próximas pesquisas. O ICS será lembrado como uma casa onde vivi um importante momento da minha trajetória acadêmica. Mais do que isso, um local onde constituí laços profissionais e de amizade. Agradeço à comunidade ICS pelo suporte recebido durante toda a minha estadia na cidade de Lisboa e no Instituto.

 

BIO

Emerson Pessoa doutorou-se em Sociologia (Programa Interuniversitário de Doutoramento OpenSoc), em 2020. Graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e fez mestrado nesta mesma área e instituição. As suas pesquisas permeiam as discussões sobre corpos, gêneros, sexualidades, biotecnologias e processos de subjetivação.