Making sense of young people’s negotiation of tourism landscapes in Goa and Lisbon

Sinead D’Silva, Research Fellow at Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa)

In this blog post, I want to spend some time talking about the motivation behind my research, exemplified through the active form of resistance and sense of place-making by young people in Goa as they make sense of their futures by confronting their present and past.

First, I will provide an overview of the project, followed by some primary observations and an example of why I feel it is crucial to not forget that even in situations of seeming complacency or even existence for sustenance, resistance may eventually emerge. Finally I will explain the expected direction for the research to proceed. Here, the young person is located within the research as considerations are made regarding ‘futures’.

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E depois de um ano descontinuado? Implicações da pandemia de Covid-19 para a cultura ao vivo

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Teresa Duarte Martinho, ICS-ULisboa

“Celebrity Solstice. Theatre.” by Tom Mascardo 1 is licensed under CC BY-ND 2.0

Um ano após o surgimento dos primeiros sinais de Covid-19, e do confinamento instituído pela declaração do carácter pandémico da doença, distinguem-se alguns contornos das transformações ocorridas em dimensões diversas da realidade social, que originam questionamentos e prenunciam mudanças. A pandemia lançou às sociedades o desafio principal de enfrentar a liberdade humana, destacou, em entrevista, Steve Fuller, sociólogo e orador convidado na conferência interdisciplinar que organizámos no ICS-ULisboa, no final de 2019, acerca das implicações da inteligência artificial e big data nos quotidianos, direitos humanos e na democracia. Quando a pandemia se dissipar, como vão definir a sua versão de normal? O problema torna-se muito mais exigente, de acordo com Fuller, para os regimes que têm defendido a liberdade, já que os outros supõem que, ultrapassado o vírus, reentram rapidamente na versão anterior.

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Da pré à pós pandemia: Desafios e dilemas da investigação



Andreia Micaela Nascimento é doutoranda em Sociologia (OpenSoc) no ICS-ULisboa

As inquietações que motivaram o desejo de estudar os projetos de vida ligados ao ensino superior dos jovens estudantes finalistas do ensino secundário na Madeira surgiram de pistas soltas, resultantes de um longo percurso de trabalho e de pesquisa sobre os estudantes da Universidade da Madeira (UMa), em especial, sobre as suas dificuldades, escolhas e motivações.

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Artigos em Outubro (II)

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Neste regresso da rubrica mensal Post Scriptum após o período estival damos destaque a publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULisboa).

Nesta segunda entrada da rubrica damos destaque a três artigos publicados na revista Portugal Journal of Social Sciences (PJSS). Este número do PJSS contém um dossier temático organizado em co-autoria pela Vanessa Cunha, que também co-assina a introdução. O tema deste dossier é a questão do tempo. Sendo este um tema com uma amplitude vastíssima, os artigos incluídos abordam temas muito variados, desde a gestão e usos do tempo nos quotidianos familiares à estrutura dos tempos biográficos e geracionais.

Sofia Aboim, no artigo Reassessing (De)standardization: Life course trajectories across three generations, analisa de forma crítica a aplicabilidade da hipótese de desandardização do percurso de vida no caso português. Partindo da análise das trajetórias de vida de três gerações de portugueses e portugueses, a autora procura identificar a existência de uma biografia padrão, para posteriormente derivar da mesma padrões de heterogeneização das trajetórias. Nesta perspectiva, reavalia em que medida o modelo de desandardização é adequado para explicar as transformações do percurso de vida na sociedade portuguesa.

Mafalda Leitão, no artigo Time-sharing in parental leave: Why and how fathers assess their time to care home alone, discute os desenvolvimentos recentes nas políticas de licença parental e o seu papel nas políticas de igualdade de género. O trabalho tem por base um estudo qualitativo em Portugal. A autora identifica duas motivações principais para a partilha da licença parental por pais e mães – assistenciais e instrumentais. Estas motivações influenciam de forma decisiva o tempo usado pelos pais. São identificados vários perfis que articulam estas motivações com a negociação familiar do tempo e os contextos laborais.

Boas leituras!


ARTIGOS

Sofia Aboim
Reassessing (De)standardization: Life course trajectories across three generations
Portuguese Journal of Social Science, 18(3), 299-318 https://doi.org/10.1093/sp/jxaa011

Mafalda Leitão
Time-sharing in parental leave: Why and how fathers assess their time to care home alone.
Portuguese Journal of Social Science, 18(3), 265-282 http://hdl.handle.net/10451/44442



Artigos em Outubro (I)

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Neste regresso da rubrica mensal Post Scriptum após o período estival damos destaque a publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULisboa).

Este período foi muito prolífero em termos de artigos. Nesta primeira entrada da rubrica damos destaque a três artigos que abordam questões de sexualidade, reconhecimento da identidade sexual e cidadania.

Sofia Aboim, no artigo Fragmented Recognition: Gender Identity between Moral and Legal Spheres, discute os pressupostos e as modalidades de reconhecimento legal dos indivíduos transgénero em diferentes geografias (Reino Unido, Portugal e Nepal). Baseando-se na noção de esferas de reconhecimento de Axel Honneth e na crítica de Nancy Fraser ao modelo de identidade de reconhecimento, argumenta que não apenas o reconhecimento da identidade implica o não reconhecimento, mas também que diferentes formas de reconhecimento funcionam de maneiras que produzem fragmentação e disjunção.

A dinâmica paradoxal de reconhecimento é ilustrada num outro artigo (Gender in a box? The paradoxes of recognition beyond the gender binary) em que Sofia Aboim argumenta que o modelo de reconhecimento de identidade de género tende a impor uma norma em vez de reconhecer a diversidade. O texto examina o caso do Nepal numa perspectiva comparativa com outros desenvolvimentos na Ásia e na América do Sul, demonstrando que o modelo de reconhecimento de identidade é cúmplice de sentimentos e práticas de não reconhecimento.

Bojan Bilić explora os debates em torno de Ana Brnabić, a primeira primeira-ministra abertamente lésbica na Sérvia e na Europa Oriental. Com base em diversas fontes empíricas, argumenta que os atores envolvidos nos debates sobre a vida (pública e privada) de Brnabić estão emaranhados num ciclo de abjeção e em fortes tendências patriarcais. Segundo o autor estas tendências são transversais ao espectro político e estruturais na política da Sérvia.

Boas leituras!


ARTIGOS

Sofia Aboim
Fragmented Recognition: Gender Identity between Moral and Legal Spheres
Social Politics: International Studies in Gender, State & Society, jxaa011, https://doi.org/10.1093/sp/jxaa011

Sofia Aboim
Gender in a box? The paradoxes of recognition beyond the gender binary
Politics and Governance, 8 (3) DOI: 10.17645/pag.v8i3.2820
http://hdl.handle.net/10451/44219

Bojan Bilić
Ana is here: Abjection, class privilege, and the prime minister Ana Brnabić
Sociologija, 62(3), 378-396. DOI 10.2298/SOC2003378B http://hdl.handle.net/10451/44442



Livros em Outubro

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Neste regresso da rubrica mensal Post Scriptum, após o período estival, damos destaque a publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULisboa).

Boas leituras!


LIVROS

Isabel Freire
Sexualidades, Media e Revolução dos Cravos
ISBN: 978-972-671-596-2.

O novo livro de Isabel Freire procura responder à questão: que temas da intimidade afetiva e sexual entram na agenda mediática com a chegada da Revolução dos Cravos? A partir de uma análise extensiva da imprensa da época, identificam-se assuntos que vão desde o amor livre, feminismo e, homossexualidade, à educação sexual e contraceção, passando pelo aborto e terapia sexual. A autora analisa ainda a polémica gerada em torno da carta de uma jovem de 14 anos que se inicia sexualmente na noite de 25 de Abril de 1974, O estudo da agenda mediática das sexualidades neste momento de mudança política e social é um contributo para a reflexão sobre a cidadania da intimidade em Portugal, em (re)equação permanente até aos nossos dias.


A rede de trabalho sexual na pandemia de COVID-19 no Brasil e Portugal

Foto/colagem de Roseli Bregantin Barbosa

Roseli Bregantin Barbosa é doutoranda em Sociologia na Universidade Federal do Paraná, Brasil, e doutoranda-visitante no ICS-ULisboa

O trabalho sexual funciona em rede e promove a migração de trabalhadores de uma modalidade de serviço para outra. A prostituta de hoje é a stripper de amanhã, ou atriz pornô, modelo de nu explicito, entre outras atividades desse setor (Diàz-Benitez, 2010). Essa rede foi vital na quarentena, quando o atendimento corpo-a-corpo no trabalho sexual ficou proibido e a clientela ficou retida em casa. A pandemia deixou milhares de trabalhadores do sexo sem trabalho e sem ter como sobreviver. A falta de regulação efetiva para esse setor promove uma condição precária que expõe milhares de trabalhadores sexuais à situação de penúria (na maioria, mulheres), sem qualquer auxílio previdenciário. A solução para muitas foi migrar para o camming – trabalho sexual online através de uma web cam. Contudo, essa modalidade não é das mais democráticas, exige investimentos, equipamentos e conhecimentos específicos, nela as variáveis escolaridade e classe social (além da cor) impactam mais fortemente nos rendimentos (Sanders et. al., 2018).

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A fissura na catástrofe: Animais, incêndios florestais e a resignificação da vulnerabilidade

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Verónica Policarpo, ICS-ULisboa

Em junho de 2017 fazia um calor sufocante. Por isso agarrei em mim e resolvi apanhar um avião para Milão. Fiel ao meu hábito de o fazer de vez em quando, para abrir espaço a outras vozes de dentro e fora, desliguei o telemóvel durante os três dias de viagem. E talvez isso explique parte do meu grande espanto. Ou talvez não. Nesse fim de semana de 16 de junho o país inteiro acordou em estado de choque. Para mim, a catástrofe começou a anunciar-se no voo de regresso, o avião sobrevoando o espaço aéreo português. Debruçando-me do meu assento à janela, comecei a contar as inúmeras fogueiras espalhadas pelo nosso território, como pirilampos trágicos pousados na noite, enquanto qualquer coisa me apertava cá dentro. Mas sabem como é: do ar, visto à distância só digna dos deuses, até o mais sinistro sinal tem o seu quê de beleza. E talvez isso tenha adiado o choque. Para a manhã seguinte, quando liguei finalmente a televisão, e aí vi a devastação das chamas, com a sua pesada taxa de mortos. Mal sabia eu, mal sabíamos todos, que era apenas o início.

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Retrato dos estudantes à saída do ensino secundário: Traços e (algumas) tendências | 21 Julho | 11h





Na próxima terça-feira, dia 21 de julho 2020, o LIFE Webinars contará com a participação de Andreia Micaela Nascimento, doutoranda em Sociologia (OpenSoc) no ICS-ULisboa, que virá apresentar-nos alguns resultados da sua investigação de doutoramento intitulada “Para além do Ensino Secundário: autonomia juvenil e mobilidade na construção dos projetos de vida ligados ao ensino superior”.


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O papel do dinheiro na Transição para a Vida Adulta | 14 Julho | 11h





Na próxima terça-feira, dia 14 de julho 2020, o LIFE Webinars contará com a participação de Filipa Cachapa, doutoranda em sociologia no ICS-ULisboa, que virá apresentar-nos os principais resultados da sua investigação de doutoramento intitulada “O papel do dinheiro na transição para a vida adulta: percursos e representações”.


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