Capítulos e artigos em junho

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Nesta rubrica destacamos mensalmente publicações (livros, capítulos de livros e artigos) de investigadores/as do LIFE Research Group (ICS-ULIsboa).

Este mês destacamos quatro publicações novas (dois capítulos e dois artigos).
O capítulo de Isabel Freire contribui para a reflexão sobre a história da sexologia (e da sexualidade) em Portugal, especificamente entre no período que abrange o final do Estado Novo, a Revolução de 25 de abril de 1974 e o início da democracia. Analisam-se discursos mediáticos sobre a sexualidade e o papel que os media desempenharam no agendamento das questões do bem-estar e da saúde sexual e reprodutiva, bem como a sua articulação com a luta pela emancipação feminina.

O ensaio de Manuel Villaverde Cabral trata de alguns projectos editoriais dos anos 40 e 50 do século XX que veicularam discursos textuais e visuais marcados por uma posição diversa e adversa à propaganda do Estado Novo, ao mesmo tempo que combinavam em graus distintos o texto com a fotografia.

O artigo de José Nuno Matos analisa as transformações estruturais no campo da imprensa e no exercício da profissão de jornalista. A reconfiguração das últimas décadas é marcada pelo desemprego e pela precarização das condições laborais. O texto analisa estas transformações a partir das trajectórias sócio-profissionais de ex-jornalistas, olhando para o que levou ao término das suas carreiras, à trajectória subsequente e ao modo como atualmente encaram o jornalismo.

O artigo de Vasco Ramos analisa algumas experiências de pobreza alimentar de crianças de famílias em situação de pobreza em Portugal, a partir de dados de um estudo europeu. Os discursos das crianças colocam em evidência de que forma a pobreza alimentar se incorpora nas suas vidas, afectando não só a qualidade e a quantidade de alimentos, como também reduzindo as oportunidades de socializar com família, colegas e amigos e criando stress emocional.

Boas leituras!


CAPÍTULOS DE LIVRO

Isabel Freire
A afirmação de uma visão terapêutica da sexualidade nos media portugueses após a Revolução dohs Cravos
In Quartilho, M. J. R. (Ed.), Psiquiatria Social e Cultural – Diálogos e Convergência, pp. 241-263
Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra
ISBN 978-989-26-1928-6.
DOI 10.14195/978-989-26-1928-6_9

Manuel Villaverde Cabral
Projectos editoriais e contradiscursos: livros ilustrados & fotolivros, 1940-1960
In Serra, F., André, P., Rodrigues, S. L. (Eds.), Projectos Editoriais e Propaganda Imagens e Contra-Imagens no Estado Novo, pp. 303-325
Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais
ISBN 978-972-671-575-7


ARTIGOS

José Nuno Matos
It Was Journalism that Abandoned Me”: An Analysis of Journalism in Portugal
tripleC: Communication, Capitalism & Critique, 18 (2), 535-555.
DOI 10.31269/triplec.v18i2.1148

Vasco Ramos
Children’s experiences of food poverty in Portugal: Findings from a mixed-method case study approach
Children and Society, First published 08 June 2020
https://doi.org/10.1111/chso.12401.


O Life nos media em maio

Rubrica que destaca a voz de investigadores/as do LIFE Research Group nos media.


Ciências Sociais em Público” (VIX)

Público | 31-05-2020

“Em Portugal são escassos os estudos acerca das crianças que sofrem de dor crónica. Este desconhecimento leva a uma incompreensão do problema, seja na comunidade médica ou na sociedade civil”

Artigo de Ana Patrícia Hilário.

Projeto de investigação “Tornar visível o invisível: uma análise das experiências familiares da dor crónica pediátrica em Portugal”, desenvolvido no âmbito do Estimulo ao Emprego Científico 2017 financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P.


Rádio Renascença | 15-05-2020

undefinedEntrevista a Karin Wall, directora do ICS e membro do LIFE Research Group, a propósito do Dia Internacional da Família. Uma reflexão sobre o impacto da pandemia nas dinâmicas familiares.

Para escutar aqui.


Jornal de Negócios | 15-05-2020


“Os momentos históricos mais marcantes são pontos de viragem geracional. Já é consensual entre os académicos que a pandemia vai provocar uma mudança na sociedade. De que forma essa transformação vai moldar a geração que está a nascer agora, em plena pandemia, já apelidada de coronnials?” 

Declarações de Vitor Sérgio Ferreira.


Público – ípsilon | 08-05-2020

José Luís Garcia

Que comunicação e que jornalismo para o mundo pós-coronavírus?

Um artigo de opinião de José Luis Garcia

“Com as medidas de confinamento tomadas para diminuir a exposição à covid-19, as relações sociais não terminaram, embora muitas tenham sido suspensas ou restritas ao espaço doméstico; do mesmo modo, os processos de comunicação não terminaram; muitos foram interrompidos, outros substituídos pela mediação tecnológica”


“Onde gastei, eu, hoje, o meu tempo?”

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Vanessa Cunha, ICS-ULisboa

Em plena crise pandémica, o meu relógio parou… o de pulso, o que anda sempre comigo para todo o lado. Parou às 7 horas e 10 minutos. Se da manhã ou da tarde, não sei (é um relógio analógico)… Mas ambos os horários são igualmente sugestivos, pois reenviam-me para a minha existência pré-COVID-19, para um tempo em que 7:10 era (mais coisa, menos coisa) a hora de acordar, com a ajuda do despertador, e em que 19:10 era (mais coisa, menos coisa) a hora de chegada do comboio, de regresso a casa, ao final de um dia de trabalho. Marcadores dos meus ritmos diários, há anos, muitos, apenas dispensados em fins-de-semana e em férias, tempos menos espartilhados por horários rígidos.

Quando o relógio parou fiquei apreensiva: “Logo agora, que está tudo fechado! Onde vou eu desencantar uma pilha?” É preciso dizer que gosto de usar relógio (é uma segunda pele, tal como os óculos) e sempre resisti a substituí-lo pelo versátil telemóvel, que entre tantas coisas que nos permite fazer, ver as horas é apenas uma delas. Não é, contudo, a mesma coisa, não está sempre à mão, ao subtil e natural(izado) rodar do pulso, e é tão dispersivo que não me transmite a segurança de que sou dona do meu tempo (cada qual com a sua mania…).

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O relógio da Vanessa

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LIFE Seminars | 05 de Novembro 2019

No próximo dia 5 de Novembro iremos retomar o ciclo de seminários do grupo de investigação LIFE com a presença de Ana Patrícia Hilário, investigadora no ICS-ULisboa, que irá apresentar o seu novo projeto Making visible the invisible: an exploration on family experiences and management of chronic pain in childhood, financiado no âmbito da medida Estimulo ao Emprego Científico 2017, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Sociologia-CEECIND/03970/2017). O projeto pretende dar conta das experiências vividas pelas crianças que sofrem de dor crónica e pelas suas famílias. A entrada é livre. Continuar a ler

Infâncias brasileiras, educação e sentidos de futuro

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Levindo Diniz Carvalho é professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minais Gerais e investigador-visitante no ICS-ULisboa.


A reflexão sobre a infância, educação e sentidos de futuro constitui um instigante desafio, em particular para nós, pesquisadores brasileiros, em um contexto de retrocesso na conquista de direitos sociais, barbárie nas condições de vida das crianças pobres e do risco que se anuncia na implantação de uma visão reducionista e dogmática para as políticas educacionais.

Emblemáticas imagens da infância brasileira informam a complexidade dos  modos de vida de nossas crianças, e exemplificam a trama simbólica em que são tecidas suas experiências em uma sociedade cindida e desigual que conforma distintas e diversas formas de se viver esse ciclo da vida.

Nesse horizonte, as interrogações da sociologia da infância procuram tomar as crianças como o seu centro de interesse, superarando o paradigma biológico: em um nível de análise estrutural buscam compreender a infância como geração. A sociedade, tal como é atravessada por clivagens de classes sociais, dicotomias de gênero, identidades étnicas etc., assenta também em uma ordem geracional, em que coexistem adultos e crianças, “adultez” e infância opondo-se enquanto categorias binárias dessa ordem. Pode-se então dar visibilidade às crianças considerando-as a parte dominada e subalterna dessa ordem geracional, mostrando como elas não têm os mesmos direitos de cidadania dos adultos e que estão também afastadas do acesso aos recursos econômicos.

Entretanto, a criança não está passivamente submetida a essa estrutura. Como sujeito social ativo, ela exerce uma “agência” (agency) nas relações sociais. Esta perspectiva interpretativa evidencia como esses sujeitos constroem processos de subjetivação próprios por meio de sua produção simbólica, estabelecendo interações com os adultos e com seus pares, que as levam a “reproduzir interpretativamente” e recriar a cultura mais ampla e a própria cultura escolar.

No contexto brasileiro, as investigações sobre infância nas ciências sociais informam a complexa realidade da infância e os inseguros mundos de vida das crianças. Ainda que tenhamos tido avanços inéditos, sobretudo na primeira década dos anos 2000, no Brasil, seis em cada dez crianças vivem na pobreza – isto é, aproximadamente 32 milhões de pessoas (PNAD 2015). Dessas, 24 milhões além de viverem com renda insuficiente, têm um ou mais direitos negados, como moradia, água, educação, exploração do trabalho, sendo o saneamento básico a privação mais recorrente.

Os dados mais recentes apontam para a rápida deterioração das condições de vida da criança no Brasil após 2016. Registra-se, por exemplo, o aumento da mortalidade infantil após 20 anos de queda contínua. Observa-se, assim, a fragilidade das conquistas de direitos pela criança, num país onde a democracia é ainda recente e a desigualdade sócio-racial é histórica e persistente.

É das franjas mais empobrecidas da nossa população que se escuta, em uma etnografia, a instigante frase de Ana, uma menina de 6 anos, vítima de violência  doméstica e negligência. À época, a criança já havia vivido por alguns meses em uma instituição de acolhimento, um abrigo, e também com duas diferentes  famílias que faziam parte de um programa chamado ”famílias acolhedoras” cujo objetivo era abrigar crianças. É em uma atividade de produção de desenhos na escola que a menina tematiza o seu complexo mundo social, desenha as diferentes casas em que já morou e, ao olhar repetidas vezes para o desenho, diz: “Eu queria mesmo era morar em um caminhão de biscoito”.

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Desenho de Ana representando as portas casas onde já viveu
Fonte: Carvalho 2015

Apontada como ‘a problemática’, ‘sem futuro’, ‘a suja’ e/ou ‘a coitadinha’ da escola, Ana não é uma metáfora sobre a vulnerabilidade e a pobreza na infância. Ana é uma realidade, um sujeito concreto, sendo representativa de uma geração que teve recente acesso à educação, mas ainda enfrenta a luta cotidiana pelas condições objetivas da vida.

Por outro lado, pelo o fato de estar em uma escola que em tempo integral (ou a “tempo inteiro”), a condição social de Ana ganha visibilidade: ela demanda práticas de cuidado e higiene, passa se a alimentar melhor graças à escola,  mas sobretudo desafia a escola e o papel dessa instituição como agente articulador da rede de proteção social. Sua presença nos convoca, portanto, a ultrapassar uma análise binária acerca da função da escola – ensino versus proteção social;  cidadania escolar versus cidadania plena;  alargamento dos currículos e  diálogos ‘com’ e ‘no’ território versus crença na função única da escola.

Entretanto, o caso de Ana não encerra a imagem da criança pobre brasileira e seus direitos. Ainda que também pontualmente, vale lembrar que temos no Brasil um original exemplo de participação ativa das crianças na cena social: o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua (MNMMR), que tensionou, no final da década de 80 e 90, as ideias sobre as crianças em situação de rua: ‘menores?’; ‘Abandonados?’; ‘Infratores?’.

A participação das crianças no MNMMR deu-se num momento de redemocratização do país e de conquista de direitos, em que o movimento teve papel fundamental  na elaboração e aprovação da Estatuto da Criança e Adolescente, marco legal que institui a noção da proteção integral.  A celebração dos 30 anos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança (UNCRC), que acontece em 2019, constitui um precioso momento de reflexão sobre os resultados de sua implementação, expresso nas condições de vida das crianças dos países signatários.

A produção acadêmica sobre o tema revela que o protagonismo dos meninos e meninas de rua na definição e conquista de seus direitos, demonstra, inclusive, uma concepção menos adultocêntrica do que a participação preconizada pela declaração Tal  movimento informou também  novas  lógicas de governança e de afirmação dos direitos da criança e poderia, assim, como o contemporâneo movimento dos “Sem Terrinha”,  inspirar lentes sociológicas sobre a criança, sua agência e  incidência  em políticas e práticas de educação.

 São, entre outras tantas possíveis de serem aqui evocadas, essas diferentes crianças e infâncias que estão em nossas escolas. Diversidade cujos campos da sociologia da Educação e Sociologia da infância, em suas tensas articulações, assumem a tarefa de compreender, na polifonia de suas vozes e as condições conjunturais em que seus discursos são produzidos. Um desafio teórico, epistêmico e metodológico em muitos casos ainda por ser decifrado.

Uma breve aproximação das realidades paradoxais das crianças brasileiras e suas escolas, nos inquieta e nos exige afirmar a necessidade de uma educação inscrita no amplo campo das políticas sociais, lócus de enfrentamento de desigualdades sociais. Esse foi, em alguma medida, o caminho percorrido pelo Brasil entre anos 2003 a 2013.

Entretanto o retrocesso que o Brasil apresenta nesse momento histórico mobiliza a todos nós com grande preocupação. Jair Bolsonaro, presidente eleito nas eleições de 2018 e vinculado à ultradireita, defende, entre outras aberrações, a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O líder de Estado chegou a afirmar que ECA deveria “ser cortado em pedaços e jogado no vaso sanitário“. Já nos cinco primeiros meses de mandato, as atuais políticas educacionais caminham para a precarização da oferta da educação pública, criminalização dos professores e para militarização de escolas. Um revés que atinge diretamente a população mais pobre do país.

No desejo de que não nos furtemos do nosso compromisso ético, pergunto: Que sentidos de futuro podemos vislumbrar para as crianças brasileiras neste final da segunda década dos anos 2000? Oxalá possamos avançar em nossos trabalhos na compreensão da singularidade da infância e sua presença na cena social e, assim, encontrar respostas à esta indagação. Mas também que possamos, a partir das nossas lentes,  colaborar, de maneira enfática e posicionada, no engajamento político e pela defesa de seus direitos como crianças.


Como citar este artigo: Carvalho, Levindo Diniz  (2019). Infâncias brasileiras, educação e sentidos de futuroLife Research Group Blog, ICS Lisboa, https://liferesearchgroup.wordpress.com/2019/05/09 09 de Maio de 2019 (Acedido a xx/xx/xx)

Crianças, recomposição familiar e estatuto jurídico do padrasto em Portugal

SA.pngSusana Atalaia é investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa


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O panorama da vida familiar em Portugal alterou-se profundamente ao longo dos últimos 40 anos. Hoje há cada vez menos casamentos mas aumentou o número de casamentos civis, de recasamentos e de casais a viver em união de facto. Há cada vez menos nascimentos mas aumentou o número de nascimentos fora do casamento de pais coabitantes e não coabitantes. Por outro lado, há cada vez mais divórcios e mais famílias de pós-divórcio como é o caso das famílias monoparentais e das famílias recompostas.

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Quem, como eu, frequentou o ensino primário nos anos 80 do século passado lembra-se, certamente, da estranheza com que a situação de ser filho/a de pais divorciados era encarada pelos demais; fossem professores, auxiliares, colegas de escola, amigos e até mesmo outros familiares. Hoje, pelo contrário, esta é uma situação cada vez mais comum. Em 2011, 23,3% das crianças e jovens portugueses (0-17) a residir num núcleo familiar, vivia numa família de pós-divórcio; 15,9% numa família monoparental e 7,4% numa família recomposta. Continuar a ler

‘The neglect of neglect’: factores sociais e fontes de conflito e de ambivalência na decisão sobre o acolhimento institucional de crianças vítimas de negligência

leonorLeonor Bettencourt Rodrigues é Investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa.


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Em Portugal, mais de metade dos casos sinalizados às CPCJ (Comissões de Protecção de Crianças e Jovensreferem-se a casos de negligência parental – i.e., omissões nos cuidados e na relação com a criança que colocam em risco, ou mesmo perigo, o seu desenvolvimento físico e psicológico, incluindo a exposição a comportamentos de risco. Dados preliminares indicam também que os casos de negligência são aqueles que mais são reabertos, i.e., que voltam a ser sinalizados após terem sido encerrados. No meu trabalho tenho procurado compreender quais os múltiplos factores – atitudinais, emocionais, sociais, legais, institucionais, culturais – que influenciam o julgamento e a decisão sobre a medida de promoção e proteção que deve ser aplicada. Mais recentemente, estou a estudar, em particular, a tomada de decisão face a casos de negligência. Continuar a ler

Imaginarios de la infancia, un aporte a la formación de profesores

deliaMaría Delia Martínez Núñez é Professora na Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, em Santiago de Chile, e é atualmente investigadora visitante no ICS-ULisboa (deliacameliaster@gmail.com)


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En el plano de la educación el estudio de los imaginarios acerca de la infancia, aparece como una fuente de conocimiento en el contexto de la formación docente. Las investigaciones desarrolladas hasta ahora han develado tres cuestiones respecto de la educación infantil. Un aspecto inicial y que ha surgido a partir del desarrollo de los proyectos implementados, es el aporte que las metodologías de estudio de los imaginarios realizan a la formación inicial de educadores para la primera infancia. Este aspecto se fundamenta en la reflexión acerca del propio quehacer y la posibilidad de compartir con otros/as la construcción de un perfil profesional sólido.

Los imaginarios son fundamentalmente interpretativos, por lo tanto la metodología utilizada debe incorporar espacios de reflexión individual y grupal que permitan a los sujetos de la investigación consolidar opiniones respecto a lo que consideran que es la infancia. En el caso de estudiantes en práctica profesional, el diálogo y la reflexión compartida entre pares, respecto del propio desempeño puede impulsarlas de manera significativa a mantener una cercanía con sus propias estructuras mentales, además de incorporar nuevas voces, dimensiones y perspectivas a su construcción profesional como futuras docentes. Continuar a ler