Images of caring masculinities: fatherhood and childcare

juJussara Rowland, ICS-ULisboa

ritaRita Correia, ICS-ULisboa


“Although the camera is an observation station, the act of photographing is more than passive observing (…) it is a way of at least tacitly, often explicitly, encouraging whatever is going on to keep on happening.”

Susan Sontag, On Photography


When Swedish photographer Johan Bävman took a long paternity leave to be at home with his son, he discovered that he had no one he could relate to in spite living in the most equal country in terms of parental leave. So, he decided to take a series of photos of fathers who have chosen to stay at home with their child for at least six months. His goals were multiple: to understand who those fathers were – their expectations, motivations –, to show the impact of the experience of taking time off to be home with their child had on both, and to inspire other fathers by presenting positive, but “not perfect” role-models.

The collection of photos captured moments of everyday life of dads taking care of their kids. The resulting award-winning exhibition has been showed in more than one hundred countries around the world (Thailand, Kenia, Uganda, Argentina, Croatia, Portugal, among others), and it has been often associated with the promotion of initiatives that encourage local fathers to participate with photos of their lives with their children and to become “caring male role models” in their own countries.

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Opening of the Exhibition “Swedish Dads”. Photo: UNESCO/Christelle ALIX

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Crianças, recomposição familiar e estatuto jurídico do padrasto em Portugal

SA.pngSusana Atalaia é investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa


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O panorama da vida familiar em Portugal alterou-se profundamente ao longo dos últimos 40 anos. Hoje há cada vez menos casamentos mas aumentou o número de casamentos civis, de recasamentos e de casais a viver em união de facto. Há cada vez menos nascimentos mas aumentou o número de nascimentos fora do casamento de pais coabitantes e não coabitantes. Por outro lado, há cada vez mais divórcios e mais famílias de pós-divórcio como é o caso das famílias monoparentais e das famílias recompostas.

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Quem, como eu, frequentou o ensino primário nos anos 80 do século passado lembra-se, certamente, da estranheza com que a situação de ser filho/a de pais divorciados era encarada pelos demais; fossem professores, auxiliares, colegas de escola, amigos e até mesmo outros familiares. Hoje, pelo contrário, esta é uma situação cada vez mais comum. Em 2011, 23,3% das crianças e jovens portugueses (0-17) a residir num núcleo familiar, vivia numa família de pós-divórcio; 15,9% numa família monoparental e 7,4% numa família recomposta. Continuar a ler

Porque partilham os homens a licença parental inicial? E o que pensam disto os empregadores?

mafaldaMafalda Duarte Leitão é doutoranda em Sociologia no ICS-ULisboa.


foto temaPorque é que em 2009 a “licença por maternidade” passou a designar-se “licença parental inicial” dirigida a ambos os progenitores para a dividirem conforme desejarem (após seis semanas obrigatórias para a mãe)? Porque é que o Estado oferece mais 30 dias de licença bem paga se o pai ficar de licença, pelo menos, um mês, sozinho com o bebé, depois de a mãe regressar ao trabalho?
Porque persiste uma grande desigualdade entre homens e mulheres no que respeita à participação e à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, por via das assimetrias que também persistem na participação de ambos os sexos no trabalho doméstico e no trabalho cuidador não pago, realizado na esfera privada da vida familiar. E porque essa desigualdade não só contradiz princípios de justiça e de igualdade social, fundadores das sociedades democráticas contemporâneas, como começa a comprometer o seu crescimento económico e desenvolvimento global.

Falo de uma nova geração de políticas especificamente desenhadas para mobilizar o pai para a esfera privada dos cuidados. Falo, em concreto, dos cuidados às crianças e de licenças que os proporcionam por ocasião do nascimento. Convém dizer que em 1995, praticamente vinte anos depois da introdução da licença por maternidade, tornou-se possível dividi-la entre o pai e a mãe, se ambos assim o desejassem. Mas esta lógica da substituição da mãe pelo pai, sem qualquer incentivo em tempo e/ou dinheiro, teve pouco impacto nas práticas dos atores. Só com a introdução do bónus de partilha em 2009, agora numa lógica de complementaridade, é que se conseguiu modificar o perfil de utilização da principal licença associada ao nascimento de uma criança. Continuar a ler

Homens e decisões reprodutivas: o elemento invisível da equação

111Vanessa Cunha é investigadora Pós-Doc no ICS-ULisboa


Em 2016, a Fundação Francisco Manuel dos Santos desenvolveu uma série de iniciativas em torno da temática da natalidade, entre as quais um ciclo de debates ao longo do mês de maio, “mês da população”. Cada debate lançou um estimulante desafio aos oradores: pronunciarem-se sobre uma questão de fundo, tendo como mote uma interrogação. Calhou-me em sorte o quarto e último debate, Quem manda ter filhos? Homens e mulheres no momento da decisão. Calhou-me em sorte e tive sorte, pois acompanhei o interessante fluxo de pontos de vista que aí foram sendo apresentados e discutidos; e porque, apesar do estado avançado da discussão quando chegou a minha vez, ainda assim pude trazer elementos novos à reflexão.

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Com efeito, se houve uma nota dominante no ciclo de debates, esta foi a perspetiva do protagonismo das mulheres nas profundas mudanças que têm vindo a ocorrer na natalidade, culminando na ideia de que no momento de decidir, são elas que mandam. Porém, o meu ponto de vista era outro. E ainda é, pelo que importa trazer para aqui a reflexão então feita. Continuar a ler