Em fase janela: dilemas sobre o trabalho de campo à distância

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Ana Sofia Ribeiro, ICS-ULisboa

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Fotografia de uma das participantes no estudo, tirada da janela do seu quarto durante a quarentena

Fazer trabalho de campo é talvez a minha parte preferida do processo de investigação. Conhecer pessoas, ir aos locais, observar a vida quotidiana, são para mim primeiras escolhas para recolha de dados. Não é que ignore o valor de uma boa desk research. É só que apesar de hoje em dia ser possível obter dados de grande qualidade a partir de fontes digitais, a investigação sobre catástrofes implica geralmente uma aproximação material ao campo, para averiguar perdas e impactos. No caso da minha investigação sobre jovens no interior e recuperação dos grandes incêndios de 2017, o contacto pessoal no terreno tem sido insubstituível no acesso a realidades muitas vezes invisíveis, porque afastadas dos grandes centros de produção mediática.

Entrevistar estes jovens não é fácil, pois a dispersão no território e as barreiras à sua mobilidade fazem com que estejam resguardados em suas casas. Os ambientes de aprendizagem informal que constituem a minha base de recrutamento também têm um funcionamento irregular, o que implica reorganizações de última hora e cancelamentos. Por outro lado, os próprios jovens têm as suas agendas e vontades, e nem sempre estão livres para falar comigo. Assim, iniciei recentemente a realização de entrevistas online via Whatsapp. O Whatsapp é a aplicação mais utilizada pelos jovens, e a que permite fazer vídeo entrevistas gratuitamente através do telemóvel. As entrevistas online são particularmente úteis para casos em que os sujeitos estão distantes ou em situação vulnerável, e dão flexibilidade aos utilizadores para escolherem o melhor momento. No entanto, levantam algumas questões. Continuar a ler

Posicionalidad: descubrir de no ser “tan” joven en el trabajo de campo

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Margot Mecca é doutoranda em Geografia e investigadora pre-doctoral da Universitat Autónoma de Barcelona, España. É doutoranda visitante no ICS-ULisboa pelo programa Erasmus + (margot.mec@gmail.com).


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Cuando he inserido un apartado dedicado a la “posicionalidad” en mi tesis, ha sido una decisión motivada por un escrúpulo científico, por la voluntad de compartir de manera abierta y clara como había abordado el trabajo de campo. Lo que no me esperaba es que este ejercicio de reflexión terminase por hacerme repensar mi misma identidad, una identidad que tenía también que ver con mi trabajo de investigadora.

Pero finalmente: qué es la posicionalidad? La necesidad de situar el conocimiento, y quien produce tal conocimiento, se ha ido difundiendo en los estudios geográficos a partir de los años ’90, con autoras como Linda McDowell y Kim England. Esta posición nace de la deconstrucción de la idea neo-positivista de una producción objetiva, impersonal y universal del conocimiento: en cambio, lo que tales autores y autoras reivindicaban era la naturaleza intrínsecamente parcial, subjetiva y particular del saber. Un saber que no puede prescindir y aislarse del contexto donde ha sido generado, de las personas concretas que lo han elaborado, de sus identidades y de sus historias, incluso de sus emociones. Continuar a ler

Decifrando o social: reflexões sobre o trabalho de campo em Roma

filipaFilipa C. Cachapa | Doutoranda em Sociologia | ICS-ULisboa


1© Filipa C. Cachapa

O trabalho de campo permite ao cientista descrever, comparar e analisar uma cultura ou um facto social. Particularmente no caso da Sociologia, e em especial quando se trata de uma investigação qualitativa, o mergulho na vida quotidiana constitui uma mais-valia para o investigador: torna possível compreender as pessoas, as suas atitudes e (inter)acções. Quando os indivíduos que são objecto de estudo de uma dada investigação pertencem a uma cultura diferente da do investigador, a imersão na realidade social revela-se fundamental e pode ser um desafio.

Em 2015, estive em Roma durante dois meses. Entrevistei 30 jovens universitários italianos, depois de já ter entrevistado, em Lisboa, 28 universitários portugueses. O objectivo foi procurar respostas para a pergunta “o que é um adulto?”, de modo a desvendar se o dinheiro e a (in)dependência financeira têm ou não um papel social importante no momento de transição para a vida adulta. Continuar a ler