The eradication of violence against women and girls in Spain 21 Janeiro | 11h

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No próximo dia 21 de Janeiro o ciclo de seminários do grupo de investigação LIFE conta com a presença de Blanca Hernández Oliver, proveniente da Universidade Carlos III de Madrid e doutoranda-visitante no ICS-ULisboa, que irá apresentar o seu trabalho “The eradication of violence against women and girls in Spain: data, legal framework & public policies and challenges for the future, special attention to youth”. A entrada é livre.

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Uma experiência de pesquisa sobre práticas de agricultura urbana em Lisboa

lauraLaura Martins de Carvalho é doutoranda no Programa Doutoral em Saúde Global e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e doutoranda-visitante no ICS-ULisboa (Bolsa CAPES n: 88881.189504/2018-01).


Este post narra minha experiência de pesquisa sobre agricultura urbana (AU) na cidade de Lisboa. Cheguei à capital portuguesa em agosto de 2018 com a preocupação de entender as práticas de agricultura urbana nos bairros sociais da cidade. Isto porque eu já havia realizado pesquisa de campo em uma região socialmente vulnerável de São Paulo, a Zona Leste, e procurava em Lisboa o equivalente socioeconômico à região de investigação da capital paulistana.

Uma vez instalada em Lisboa, tinha a expectativa de ver os parques hortícolas “em pleno funcionamento e com alta produtividade”, mas não sabia que durante os meses de agosto e setembro os residentes lisboetas costumam estar de férias fora de Lisboa. Inicialmente visitei alguns parques hortícolas para me familiarizar com o cenário da AU na cidade (Telheiras, Jardim da Amnistia Internacional, Quinta da Granja e Quinta das Flores) e, como dito anteriormente, àquela altura havia poucos agricultores urbanos a trabalhar na terra. Para que as plantas não morressem no calor, os donos dos talhões pediam a amigos e vizinhos que as aguassem durante o período de férias. Devido às temperaturas elevadas, os agricultores procuravam ir aos talhões depois das 18h00, quando o calor já não era tão forte. Continuar a ler

Avaliação de ações para idosos e envelhecimento em serviços de atenção primária

nadia.pngNádia Placideli é gerontóloga, doutoranda da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, departamento de Saúde Coletiva, e doutoranda visitante no ICS-ULisboa.


 

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Como os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) estão organizados quanto à oferta e implementação de ações na atenção à saúde da pessoa idosa e ao envelhecimento? Esta é a questão norteadora da minha pesquisa realizada em São Paulo (Brasil) e em Lisboa (Portugal), a qual teve como objetivo avaliar a qualidade da organização de ações à saúde da pessoa idosa e envelhecimento em serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) de uma Rede Regional de Atenção à Saúde (RRAS).

Foi desenvolvida pesquisa avaliativa, baseada na avaliação de 157 serviços de APS em quarenta e um municípios, compreendidos em uma Rede Regional de Atenção à Saúde, no centro-oeste do estado de São Paulo, a partir da aplicação do Questionário de Avaliação da Qualidade de Serviços de Aten­ção Básica (QualiAB), em 2014. Continuar a ler

Um convite ao manifesto – Quando sinto que já sei

rafael.pngRafael Garcia Barreiro – Professor na Universidade de Brasília (UnB), Doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Terapia Ocupacional – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Doutorando visitante no ICS/ULisboa.


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Refletir sobre a educação é questionar seu passado, entender seu presente e projetar um futuro. Quando digo questionar sobre o passado, me refiro aos padrões hegemônicos que adotamos enquanto sistema educacional. Ao presente, busco entender o debate posto na atualidade acerca do acesso instantâneo ao conhecimento via as plataformas digitais e a discordância deste fator sobre o os modelos já consolidados  como “processos de aprendizagem”. Sobre o futuro, irei tratar logo a frente.

Para tentar entender essa relação entre passado e presente da educação, recorro a Antonio Gramsci na compreensão da dialética marxista. Gramsci indissocia a relação dialética entre o intelectual e o mundo circunstante, colocando o desafio para uma nova produção da ciência, ao que ele refere de “intelectual orgânico”, capaz de produzir além da técnica, uma relação política na formação de uma contra-hegemonia aos interesses do capital e de uma intelectualidade tradicional. Continuar a ler

A Transamazônica como um grande projeto da ditadura na década de 1970

cesar.png César Martins de Souza é Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), e é investigador visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Coordena o Projeto “Da Transamazônica a Transoceânica”, junto a UFPA (cesarmartinsouza@yahoo.com.br )


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Fig. 1. Marco Zero da Rodovia Transamazônica (fotografia de César Martins de Souza)

Em 1970, durante a ditadura civil-militar brasileira, iniciou-se a construção da rodovia Transamazônica (Br-230) que objetivava integrar a Amazônia ao restante do país e ocupá-la com pessoas atingidas pelas secas periódicas da região nordestina e trabalhadores rurais despossuídos, do sul do Brasil. O governo do general-presidente Emílio Garrastazu Médici pretendia, ao mesmo tempo, diminuir as tensões do campo no sul e no nordeste, ocupar a Amazônia e mostrar para a população nacional a imagem de um país que se tornaria potência mundial, tendo a conquista da gigantesca floresta, como uma marca deste momento (Souza, 2014).

O projeto da rodovia, um dos maiores e mais propagandeados pela ditadura, foi executado durante o período mais duro da repressão, e pretendia promover o desenvolvimento agropecuário e a ocupação da Amazônia por migrantes de outras regiões que seriam estabelecidos nos núcleos de colonização construídos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Continuar a ler

Ações afirmativas no acesso ao ensino superior: como têm mudado a vida dos jovens de origem popular no brasil?

avaAva Carvalho é  doutoranda em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade Federal da Bahia, professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), membro do grupo de pesquisa Observatório da Vida Estudantil (UFBA), e doutoranda-visitante no ICS-ULisboa.


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Ibititá é uma pequena cidade localizada no centro-norte do estado da Bahia, Brasil, com menos de 20.000 habitantes. Em uma casa simples com quintal, cozinha ampla e dois quartos – para receber o filho quando chega de viagem – vivem Gilda e Joselito, pais de Fredson, 30 anos. Fred, como é chamado pelos pais, saiu do interior para a capital da Bahia, Salvador, aos 18 anos, com a expectativa de se preparar para a entrada na universidade, após ter concluído a sua formação escolar. Depois de um ano estudando na capital, foi aprovado para o curso de Direito da Universidade Federal da Bahia e não mais retornou à casa dos pais. Segundo ele, até hoje a sua mãe “sente” a sua ausência; Gilda gostaria que Fred encontrasse um emprego em alguma cidade próxima, embora esteja cada vez mais convencida de que ele não volta mais a viver em sua casa. Continuar a ler

A mutação demográfica em curso e o envelhecimento na sociedade brasileira: alguns indicadores

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Revalino António de Freitas – Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, e Investigador Visitante no ICS-ULisboa


Após décadas de pouca mobilidade, ao longo de quase todo o século XX, a estrutura etária da sociedade brasileira começou a ter uma forte mudança com consequências em todas as idades. Essa mutação, ainda inconclusa, permite apontar para uma nova reconfiguração, com a sociedade majoritariamente adulta e presença ascendente de pessoas idosas.

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Fonte: IBGE. Censos Demográficos. Adaptado pelo Autor.

No Brasil, os contornos que estabelecem a velhice são definidos social e juridicamente através de mudanças sociais em curso após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e que são sintetizados no Estatuto do Idoso. Trata-se de um estatuto jurídico-normativo que sanciona a outorga de direitos, no caso em decorrência de uma política internacional orientada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que define como pessoa idosa que tem 60 anos ou mais. A partir do recorte temporal, uma ampla legislação é estabelecida, definindo que os direitos das pessoas idosas são de responsabilidade, pela ordem, da família, da comunidade, da sociedade e, por fim, do poder público. Continuar a ler

Envelhecimento em Lisboa, Portugal e Europa

pmf.pngPedro Moura Ferreira é Sociólogo, Investigador Auxiliar no ICS-ULisboa e Coordenador do Instituto do Envelhecimento


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O livro Envelhecimento em Lisboa, Portugal e Europa: Uma perspetiva comparada, de Manuel Villaverde Cabral, Maria Toscano e Pedro Alcântara da Silva, recentemente editado pela Imprensa Ciências Sociais, dá conta de um estudo comparativo entre a população portuguesa sénior residente em Lisboa e a população da mesma faixa etária residente no conjunto de Portugal, assim como em três países europeus escolhidos para efeitos comparativos ─ Espanha, Suécia e República Checa. Com o fim de sustentar a reflexão e o debate sobre as políticas públicas em torno do envelhecimento, a investigação visou estabelecer o perfil sociodemográfico, atitudinal e comportamental da população sénior da cidade de Lisboa, tendo em consideração o enquadramento nacional e europeu.

O livro tem duas particularidades que devem ser ressaltadas.

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