Eu reclamo. Ele reclama. Nós reclamamos. Eles reclamam.

Culturas da reclamação no ambiente escolar: reflexões a partir da escolarização obrigatória no Brasil

nildaNilda Stecanela é professora da Universidade de Caxias do Sul, com atuação no Programa de Pós-Graduação em Educação. Fez estágio de doutorado no ICS/ULisboa (2005-2006) e estágio pós-doutoral no Institute of Education/University of London (2015-2016). Atualmente exerce a função de Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação.


Claudia Velho-7539

Reclamações em rotas distintas

Os queixumes dos professores

– Os alunos não querem nada com nada. Só vêm para a escola porque os pais (e a lei) obrigam.
– Lá fora (da escola) o mundo é mais atrativo.
– Os alunos são mais difíceis de lidar, têm menos empenho e esforço.
– Problema é ensinar quando as famílias depositam na escola o papel de educar também.
– Dificuldade é os pais largarem os filhos nas mãos dos professores.
– Muito conteúdo (informação) fica sem ser dado (porque os alunos não se comportam).
– (O professor) tem que cuidar com o que diz e o que faz, pois tudo favorece o aluno.
– Os alunos têm mais direitos do que deveres (..), conhecem os direitos e os usam para intimidar o professor.
– Com a nova LDB não podemos mais reprovar.

Em síntese, os professores reclamam da falta de interesse dos alunos com a escola, da ausência da família, pois consideram que o papel da escola é ensinar e o papel da família é educar, e, experienciam constrangimentos quando tentam formar de valores, além da perda de poder. Continuar a ler

Um convite ao manifesto – Quando sinto que já sei

rafael.pngRafael Garcia Barreiro – Professor na Universidade de Brasília (UnB), Doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Terapia Ocupacional – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Doutorando visitante no ICS/ULisboa.


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Refletir sobre a educação é questionar seu passado, entender seu presente e projetar um futuro. Quando digo questionar sobre o passado, me refiro aos padrões hegemônicos que adotamos enquanto sistema educacional. Ao presente, busco entender o debate posto na atualidade acerca do acesso instantâneo ao conhecimento via as plataformas digitais e a discordância deste fator sobre o os modelos já consolidados  como “processos de aprendizagem”. Sobre o futuro, irei tratar logo a frente.

Para tentar entender essa relação entre passado e presente da educação, recorro a Antonio Gramsci na compreensão da dialética marxista. Gramsci indissocia a relação dialética entre o intelectual e o mundo circunstante, colocando o desafio para uma nova produção da ciência, ao que ele refere de “intelectual orgânico”, capaz de produzir além da técnica, uma relação política na formação de uma contra-hegemonia aos interesses do capital e de uma intelectualidade tradicional. Continuar a ler

Imaginarios de la infancia, un aporte a la formación de profesores

deliaMaría Delia Martínez Núñez é Professora na Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, em Santiago de Chile, e é atualmente investigadora visitante no ICS-ULisboa (deliacameliaster@gmail.com)


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En el plano de la educación el estudio de los imaginarios acerca de la infancia, aparece como una fuente de conocimiento en el contexto de la formación docente. Las investigaciones desarrolladas hasta ahora han develado tres cuestiones respecto de la educación infantil. Un aspecto inicial y que ha surgido a partir del desarrollo de los proyectos implementados, es el aporte que las metodologías de estudio de los imaginarios realizan a la formación inicial de educadores para la primera infancia. Este aspecto se fundamenta en la reflexión acerca del propio quehacer y la posibilidad de compartir con otros/as la construcción de un perfil profesional sólido.

Los imaginarios son fundamentalmente interpretativos, por lo tanto la metodología utilizada debe incorporar espacios de reflexión individual y grupal que permitan a los sujetos de la investigación consolidar opiniones respecto a lo que consideran que es la infancia. En el caso de estudiantes en práctica profesional, el diálogo y la reflexión compartida entre pares, respecto del propio desempeño puede impulsarlas de manera significativa a mantener una cercanía con sus propias estructuras mentales, además de incorporar nuevas voces, dimensiones y perspectivas a su construcción profesional como futuras docentes. Continuar a ler