Sentidos e suportes da arte entre estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro | 11h | Sala 2




No dia 15 de novembro, pelas 11h, o LIFE Seminars contará com a participação de Maria Pereira, da Universidade Federal Fluminense (PPG-Educacao) e doutoranda visitante no ICS-ULisboa.

A pesquisa problematiza o lugar da arte entre jovens de camadas populares do estado do Rio de Janeiro, a partir de análise sociológica. Quais os sentidos atribuídos pelos sujeitos à expressão artística? O que os mobiliza a fazer arte? Interessa conhecer sobretudo em que medida a prática artística oferece suportes a esta juventude face a seus desafios comuns e às condições de acesso a arte.

Continuar a ler

José Nuno Matos

Jose Nuno Matos é especialista em sociologia do trabalho e dos media e docente na Escola Superior de Comunicação do Instituto Politécnico de Lisboa (ESCS-IPL). Com um percurso de década e meia no ICS-UL onde integrou o grupo de investigação. LIFE, o José Nuno tem-se dedicado, entre outros, ao estudo das alterações introduzidas pela digitalização dos meios de comunicação social nas condições e no trabalho jornalístico. Recentemente juntou-se ao Instituto de Comunicação da Nova (ICNOVA). Fomos conversar com ele a propósito desta mudança e do seu percurso profissional e pessoal.

Entrevista realizada por Vasco Ramos, ICS-ULisboa.


Nos últimos anos tens investigado a crise do jornalismo. Fizeste-o sob diversos pontos de vista: abordando as metamorfoses do campo profissional; a proletarização e desprofissionalização da atividade jornalística; e as trajetórias profissionais de ex-jornalistas. Também tens relacionado estas dinâmicas om o fenómeno da desinformação e, em termos político-económicos, com o entrincheiramento do neoliberalismo nas relações sociais. Será difícil fazer um balanço. Mas, de tudo o que foste descobrindo, que aspetos te parecem socialmente mais relevantes?

Ao longo dos últimos dediquei a minha investigação ao estudo das condições de trabalho e de emprego dos jornalistas. Inclusive, procurei analisar este tema a partir de uma perspetiva histórica, com o objetivo de compreender o quão abruptas foram as mudanças verificadas neste campo. Embora o jornalismo nunca tenha sido propriamente uma profissão muito bem remunerada (ao ponto de não ser considerada uma profissão, mas sim uma semi-profissão) não esperava encontrar uma situação tão grave. Num estudo que foi realizado pela Rede Interuniversitária de Estudos sobre Jornalistas, na qual participei, e que envolveu um inquérito, verificou-se a existência de mais de 50% dos jornalistas sob contratos precários e a auferir de um salário igual ou inferior aos 1000 euros. Por outro lado, nas entrevistas que realizei a ex-jornalistas de várias idades foi interessante constatar que a grande parte escolhia a profissão sem grandes ilusões. Sabiam, à partida, que não iam ingressar numa “grande carreira”, pelo menos no que respeita à sua remuneração, mas optavam ainda assim por esta devido a uma vocação. E as motivações que conduziam ao abandono da profissão não se prendiam apenas com uma fuga ao desemprego e à precariedade, mas ao confronto com um tipo de trabalho cada vez mais estandardizado, repetitivo e exercido a contrarrelógio.

Como é que surgiu esta oportunidade de ires para a FCSH? Qual o departamento ou unidade de investigação que vais integrar

Vou integrar o ICNOVA. Trata-se de um centro com uma atividade bastante dinâmica e com um grande número de investigadores a desenvolver trabalhos relevantes nas áreas dos media e jornalismo, com os quais espero vir a colaborar.

Continuar a ler

Uma mensagem para os doutorandos do ICS: testemunho da minha experiência


Silvia Di Giuseppe – Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa


O doutoramento é, seguramente, um caminho longo e complexo, mas que também proporciona imensa satisfação. Se voltasse atrás estou certa que o faria novamente. Queria começar o meu testemunho desta forma, porque acho que é a mensagem mais importante que posso transmitir aos novos e às novas estudantes de doutoramento.

Frequentei o programa de doutoramento Sociologia OpenSoc, que terminei em março de 2022 com a apresentação da tese “Estar online e offline: práticas e representações de mulheres portuguesas e italianas na sociedade digital”. Estou muito feliz com a defesa da minha tese, um momento verdadeiramente único onde pude debater o meu trabalho e receber críticas construtivas que, de alguma forma, marcam o fim de um caminho – uma espécie de “rito de passagem” que introduz o/a aluno/a na comunidade científica. 

No entanto, gostaria de começar desde o início, ou seja, a razão pela qual decidi fazer um doutoramento em Portugal e em particular em Lisboa, uma vez que sou italiana e venho de Roma. A primeira resposta que posso dar é que sempre tive uma grande paixão, a Sociologia. Esta relação com a Sociologia vem desde os tempos em que frequentei a Universidade La Sapienza de Roma, onde me formei. Pesquisei, informei-me e então descobri que o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa era uma excelente escola de ensino pós-graduado e de renome mundial. Nasceu, então, o desejo de fazer parte deste Instituto, para progredir no meu percurso académico e profissional na área da investigação em ciências sociais.

Continuar a ler

Youth policies in Italy: main objectives and measures | 18 outubro | 11h | Sala 3




No dia 18 de outubro, pelas 11h, o LIFE Webinars contará com a participação de Adriano Mauro Ellena, da Università Cattolica del Sacro Cuore em Milão/Brescia – Itália.


Youth policies can be considered a sub-field of public policies aimed at addressing problems specifically related to youth. In the European context, this type of intervention varies greatly from country to country. In 2013, with later implementation in 2014, it was Youth Guarantee that was the first European policy in this regard. Nevertheless, there were still differences at the European level. Italy is one of the European countries with the highest number of NEETs and with a labor market that is far from promising now. This presentation intends to analyze Italian public policies from 2010 to the present, with the aim of highlighting specific targets and main measures. Using the qualitative analysis software MAXQDA 22 more than 60 policies, implementation plans, and programs were analyzed.

Continuar a ler

Palestra-Concerto | Gota D’Água Preta. Teatralidades negras numa sociedade tensa e à beira do colapso | 14 outubro | 16H | Auditório ICS-ULisboa




No dia 14 de outubro, pelas 16h, numa iniciativa em conjunto com o Grupo de investigação Identidades, Culturas, Vulnerabilidades, irá decorrer uma Palestra-Concerto, com a participação de Jé Oliveira (USP-SP-BR), Salloma Salomão Jovino (USP. CELLAC e Conservatório Dramático Musical de Tatuí-SP- BR), Aysha Nascimento (ELT- Escola Livre e Teatro de Santo André-SP) e o músico Lucas de Campos.

Há vinte anos atrás uma cena multicultural rica e efervescente emergia nos Brasis no mesmo momento em que a sociedade brasileira dava sinais de melhorias das condições de vida das classes subalternas e correção das iniquidades históricas, em relação as populações afro-indígenas. Contudo, uma descarada manipulação das instituições gerou a destituição da presidenta da república. Essa ocorrência de 2016 conduziu rapidamente o país para uma luta intestina por hegemonia entre setores de extrema direita. Coordenada por um pequeno grupo dirigido por mercenários, paramilitares, empresários e setores da mídia, um ex-militar subalterno alcançou o topo do poder civil pelo voto, ainda que fizesse abertas apologias a tirania, ao regime ditatorial e a tortura. O esboço de políticas culturais públicas criadas entre 2003-2011 repercutiram na emergência de polos criativos-culturais em todo país.

Continuar a ler

Percursos de profissionalização dos mestres cervejeiros | 11 outubro | 11h | Sala 2




No dia 11 de outubro, pelas 11h, o LIFE Webinars contará com a participação de Andrey Felipe Sgorla, bolseiro de Investigação de Doutoramento em Aprendizagem e Inovação nos contextos sociais e de trabalho (AICSL) – DISPOC – Universidade de Siena (Itália) e doutorando visitante no ICS-ULisboa.

O artesanato tem sido o foco da produção acadêmica em várias dimensões (os materiais utilizados, trabalho manual, habilidades, cultura material) e também na noção de autenticidade como uma qualidade valorizada na cultura contemporânea. A revalorização do artesanato levou à criação de novas profissões artesanais, que são narradas como uma vocação que depende do ‘senso de arte’ – uma combinação de habilidades de produção com a materialidade dos ingredientes, sensorialidade, avaliação subjetiva, identidade com o local de produção e a capacidade de comunicar a autenticidade e a singularidade dos produtos através de narrativas.

Continuar a ler

Conferência ICS 2022 tem como tema “Jovens Aqui e Agora: Uma Geração em Mudança?”

Investigadores, ativistas, políticos, dirigentes associativos nacionais e internacionais, de várias gerações, juntam-se no Instituto de Ciências Sociais para refletir sobre a condição juvenil no contexto português e europeu, focando as dificuldades que os jovens enfrentam num contexto de precariedade, as novas formas de participação cívica e as perceções que têm sobre injustiças e desigualdades geracionais. Veja o programa completo.

Texto dos organizadores, Maria Manuel Veira e Vítor Sérgio Ferreira:

“Os jovens vivem, hoje, em Portugal, um contexto de rápidas e profundas mudanças.

Por um lado, a precariedade, a mobilidade e a conectividade são condições estruturais que afetam cada vez mais os percursos juvenis e as transições para a idade adulta, ainda que de forma desigual. Por outro, a perceção de problemas comuns e globalizados entre os mais jovens tem gerado uma discussão pública e política sobre questões de desigualdade, sustentabilidade e justiça sob um ponto de vista geracional, quando se olha para o futuro.

Ao mesmo tempo que se equaciona a emergência de uma potencial geração em mudança, a (re)ação dos jovens perante os desafios que têm pela frente fragmenta-se em múltiplas formas de participação social e de exercício de cidadania. Neste cenário, o objetivo da conferência “Jovens de hoje e aqui: uma geração em mudança?” é fomentar a discussão entre a comunidade científica e várias forças da sociedade civil sobre: 1) as formas como os jovens estão a fazer as suas transições para a idade adulta e os desafios que estão a enfrentar em condições de ampla precariedade, mobilidade e conectividade; 2) as (re)ações que os jovens estão a desenvolver em termos de participação cívica e política perante as novas condições com que se defrontam; 3) as perceções sobre quais são, como se explicam e como se estão a combater as (in)justiças e desigualdades entre diferentes gerações, considerando os cenários futuros construídos no presente.

Nesta Conferência ICS2022 será dada particular atenção à condição juvenil no contexto português e europeu, focando as mudanças que a mesma tem atravessado – e que o recente contexto pandémico acelerou –  as formas como os jovens as percecionam e com elas lidam. Questionar essa condição possibilita também abrir pistas de conhecimento sobre a estrutura social do País e as suas mais recentes mudanças num contexto marcado pela incerteza.”

Programa completo:

09h30: Boas-vindas

Karin Wall, diretora do ICS-ULisboa

Vítor Sérgio Ferreira, coordenador GI LIFE

Maria Manuel Vieira, coordenadora OPJ

10h00: Conferência

Valentina Cuzzocrea, Università degli Studi di Cagliari, Itália

Timing transitions, time(s) in transition

chair: Maria Manuel Vieira, ICS-ULisboa

10h45: Debate com o público

11h00: Coffee-break

11h30: Sessão 1 – “Transições: precariedades, mobilidades e conectividades”

chair: Sofa Ribeiro, ICS-ULisboa

Sofa Marques da Silva, CIIE, FPCE-UPorto

Ficar, sair, regressar: mobilidades, oportunidades e sentimento de pertença de jovens a crescer em regiões de fronteira em Portugal.

Renato Miguel do Carmo, Inês Tavares e Ana Filipa Cândido, CIES-IUL, ISCTE-IUL

Perfis de precariedade e de desemprego: uma abordagem comparada e reflexiva

Painel de debate:

Carlota Marques, Associação INterioriza-te

Francisco Carreiro, CM Cascais

Joana Dâmaso, Associação Gap Year Portugal

13h00: Almoço

14h00: Sessão 2 – “(Re)Ações: participação cívica e política dos jovens”

chair: Hugo Ferrinho Lopes, ICS-ULisboa

Isabel Menezes, CIIE, FPCEducação, UPorto

‘Os rumores sobre a morte da política são bastante exagerados?’ A/os jovens e o regresso da política

Ricardo Campos, CICS.Nova, NOVA FCSH

Juventude e as artes da cidadania

Painel de debate:

Bruno António, DYPall

Matias Souza, Greve Climática Estudantil Lisboa

Mafalda Fernandes, Ativista

15h30: Coffee-break

16h00: Sessão 3 – “Perceções: justiça intergeracional e futuro”

chair: Tatiana Ferreira, ICS-ULisboa

André Santos Campos, Ifillnova, NOVA FCSH

Justiça intergeracional em democracias de curto-prazo

Luís Lobo Xavier, Coordenador do Programa Justiça Intergeracional, Fundação Calouste Gulbenkian

Desafios das Futuras Gerações

Painel de debate:

Miguel Costa Matos, Deputado AR

Ana Catarina Neves, Nova School of Business and Economics

José Maria Pimentel, Podcast @45graus

17h30: Conferência Final e Encerramento

chair: Vítor Sérgio Ferreira, ICS-ULisboa

José Machado Pais, ICS-ULisboa

O world if e a reinvenção do futuro

Jovens Aqui e Agora: Uma Geração em Mudança? :: 30-09-2022 :: ICS-ULisboa

Um futuro melhor


Daniela Craveiro – Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa


Imaginar um futuro melhor para nós e para a nossa comunidade é mais difícil do que parece. Temos de estabelecer premissas, como identificar as pessoas e contextos em que nos centramos, ou definir o que queremos melhorar, e de que forma.

No geral, temos dificuldade em pensar a longo prazo com clareza, especialmente sobre o nosso próprio percurso[1]. Mas é uma tarefa que pode ser transformadora a nível individual ou a nível comunitário, na medida em que nos ajuda a mapear prioridades, alternativas, e planos de ação. Nos cenários imaginados dificilmente entram considerações sobre rugas ou cabelo branco, mas no futuro, mesmo no nosso melhor futuro, envelhecemos – envelhecemos melhor, mas envelhecemos ainda assim.

Continuar a ler

Methodological Pitfalls in Qualitative Research that Every Researcher Should Be Aware Of! | 14 junho | 11h




No dia 14 de junho, pelas 11h, o LIFE Webinars contará com a participação de Izhar Oplatka da Universidade de Telavive, Israel.

Acesso ao evento via ZooZoom

The seminar will outline potential pitfalls that each qualitative researcher might face during the qualitative research process and provide adequate strategies to face with them effectively. The author’s personal and professional experience in supervising doctoral and MA students in their qualitative research and students’ own reflections on the pitfalls they have faced are used as resources for this seminar. The pitfalls will be divided into four phases in the research process, beginning from the preparatory phase in which the researcher plans the research program, through data collection and analysis, to the final phase of writing the research report. The seminar provides some practical strategies to cope with these pitfalls successfully and effectively.


Short Bio

Izhar Oplatka is a professor of Educational Administration and Leadership whose research focuses on the lives and career of school teachers and educational leaders, educational marketing, emotions, qualitative methodologies, and the foundations of educational administration as a field of study. His most recent books (and edited
books) include Handbook of gender and educational leadership and management (with Showunmi,  Moorosi & Shakeshaft, 2022, Bloomsbury), Reforming Education in Developing Countries (2019, Routledge), Emotion Management in Teaching and Educational Leadership: A Cultural Perspective. (with Arar, EMERALD Publishing Limited), and Project Management in Schools (2018, with Yemini and Sagi, Palgrave-Macmillan).

Researching families and social change | 31 maio | 11h | online




No dia 31 de maio, pelas 11h, o LIFE Webinars contará com a participação de Julia Brannen, Emerita Professor at Thomas Coram Research Unit, UCL Institute of Education.

Acesso ao evento via Zoom

In my book Social Research Matters (2021 Bristol University Press), I was interested in the idea of a research career as evolutionary and interactive in the ways in which research is practiced, while also shaped by the contexts of disciplines, institutions, societal concerns and the body politic. In this talk I will focus on some of the topics that colleagues and I have researched and the approaches we have worked with together. Without exception the projects were externally funded.  First, I will focus on matters to do with studying contemporary family lives.

Continuar a ler